Tubarões que seguem o líder

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Tubarão cinzento dos recifes. Crédito: http://www.vincent-truchet.com

Pesquisadores verificaram a primeira evidência de processos sociais de longo prazo entre tubarões. O estudo foi realizado com o tubarão cinzento dos recifes (Carcharhinus amblyrhynchos), no atol de Palmyra, no oceano Pacífico. A movimentação dos tubarões foi rastreada por seis meses, com o uso do método da telemetria. Foi verificado que alguns indivíduos emergiam como líderes da população e que essa postura de coordenação comportamental é predita pelo sexo e duração das co-ocorrências entre os congêneres. Interessantemente, os líderes tendiam a ser fêmeas, abrindo discussão para questões sobre a importância das interações entre os sexos na estruturação da dinâmica populacional dos tubarões.

Segundo o líder do estudo, David Jacoby: “os tubarões não se moviam aleatoriamente, ou com nada em mente além de comida. Haviam dinâmicas sociais em jogo: padrões de associação, de tubarões passando mais tempo com alguns indivíduos do que outros, de indivíduos com posições periféricas ou centrais em relação ao grupo”.

Referência:

Jacoby DMP, Papastamatiou YP, Freeman R (2016) Inferring animal social networks and leadership: applications for passive monitoring arrays. Journal of the Royal Society Interface 13: 20160676 PDF

Peixe-serra: um gigante dócil, enigmático e a beira da extinção

Você já ouviu falar em um peixe gigante e dócil, que atinge cerca de 7 metros e tem uma serra na ponta da cabeça que pode chegar a dois metros? Isso mesmo, é uma serra que ele usa para atordoar suas presas, pequenos peixes e crustáceos.

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Esse maravilhoso e enigmático peixe ocorreu praticamente ao longo de toda a costa brasileira, em áreas costeiras, principalmente manguezais e estuários. Duas espécies são registradas, Pristis pristis e Pristis pectinata. Elas são diferenciadas através do espaçamentos entre os dentículos da serra, P. pristis tem os dentes mais espaçados e largos e P. pectinata tem os dentes menos espaçados e menores.

Porém, as próximas notícias não são nem um pouco animadoras. Ambas as espécies são classificadas globalmente pela União Internacional para a Conservação da Natureza como criticamente ameaçadas de extinção. No Brasil, em poucas décadas esses peixes desapareceram praticamente de toda a nossa costa. Como medida precaucionaria, ambas as espécies tiveram a pesca e comercialização proibidas no Brasil desde 2004. Entretanto, infelizmente, P. pectinata já pode ser considerado extinto no país e os últimos indivíduos de P. pristis estão sendo capturados ilegalmente na região norte e geralmente vendidos filetados como outras espécies de tubarões e raias. A extinção dessas espécies está sendo testemunhada ela nossa geração.

Para tentar entender como ocorreu o declínio das capturas de P. pristis nas últimas décadas, nos últimos dois anos pesquisadores entrevistaram pescadores para obter registros de capturas nos estuários do estado da Bahia, um tradicional ponto de ocorrência da espécie. O incremento de novas tecnologias de pesca, especialmente as redes e o aumento do esforço foram os fatores determinantes para o desaparecimento das espécies, que são alvos fáceis das redes por se enroscarem em seu rostro, impossibilitando as chances de fuga. A quantidade e tamanho de peixes-serra capturados foram reduzindo rapidamente ao longo das gerações de pescadores, no qual o referencial de tamanho e abundância dos pescadores mais antigos só é conhecido por seus relatos.

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Peixe-serra capturado na Índia. Repare na rede toda enroscada no rostro ou serra do peixe, impossibilitando sua fuga. Assim como no Brasil, os últimos invidíduos estão sendo pescados por lá.

 

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Peixe-serra (Pristis pristis) capturado ilagalmente no município de Alcantâra, no estado do Maranhão em Junho de 2015. B) Rostro ou serra do peixe. Para saber mais notícias sobre o ocorrido e seu desfeixo legal, clique aqui e aqui

O que podemos fazer para salvar essa espécie da extinção no Brasil? Primeiramente criar áreas de exclusão da pesca com rede em áreas costeiras (especialmente estuários e manguezais), acabar com a pesca ilegal, sensibilizar os pescadores quando as urgentes necessidades de conservação da espécie e prover alternativas de renda para as famílias em risco social e que retiram parte de seu sustento da pesca e venda ilegal da espécie. E isso tudo tem que ser para ontem, pois extinção é para sempre!! Você tem outras sugestões? Compartilhe conosco!

Referências:

Palmeira CAM, Rodrigues-Filho LFS, Sales JBL, Vallinoto M, Schneider H, Sampaio I (2013) Commercialization of a critically endangered species (largetooth sawfish, Pristis perotteti) in fish markets of northern Brazil: Authenticity by DNA analysis. Food Control 34: 249-252. LINK

Giglio VJ, Luiz OJ, Gerhardinger LC (2015) Depletion of marine megafauna and shifting baselines among artisanal fishers in eastern Brazil. Animal Conservation 18: 348-358. PDF

Giglio VJ, Luiz OJ, Gerhardinger LC (2016) Memories of sawfish fisheries in a southwestern Atlantic estuary. SPC Traditional Marine Resource Management and Knowledge Information Bulletin 36:  28-32. PDF

Reis-Filho JA, Freitas RHA, Loiola M, Leite L, Soeiro G, Oliveira HHQ, Sampaio CLS, Nunes JACC, Leduc AOHC (2016) Traditional fisher perceptions on the regional disappearance of the largetooth sawfish Pristis pristis from the central coast of Brazil. Endangered Species Research 29: 189-200. PDF

Saiu o documentário da Rede Abrolhos

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Acaba de ser disponibilizado um documentário muito interessante, sobre as atividades da Rede Abrolhos. A Rede tem como objetivo integrar iniciativas inter-institucionais de pesquisa, capacitação, formação de recursos humanos e gestão ambiental produzindo e transmitindo conhecimento sobre o maior recife coralíneo do Atlântico Sul, o Banco do Abrolhos.

Não deixem de assistir!

 

Caso mais antigo de câncer é encontrado em ancestral humano de 1.7 milhões de anos

 

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Osso do pé (metatarso) de um hominídeo usado na pesquisa, mostrando a extensão do câncer para a superfície do osso. Crédito: Patrick Randolph-Quinney.

Uma equipe de pesquisadores internacionais descobriu a evidência mais antiga de câncer e tumores ósseos descritos para um fóssil humano, encontrado na caverna Swartkrans, na África do Sul. O diagnóstico foi possível através de avanços nos métodos de análises de imagens 3D. A descoberta muda a data mais antiga para essa doença aos tempos recentes na pré-história. Apesar da espécie exata no qual o osso do pé analisado pertence seja desconhecida, está claro que é um hominídeo, ou bípede evolutivamente próximo aos humanos.

O autor líder da pesquisa, Edward Odes, afirma que: “A medicina moderna tende a assumir que câncer e tumores em humanos são doenças causadas pelo estilo de vida e ambiente moderno. Entretanto, nosso estudo mostrou que as origens dessas doenças ocorreram em ancestrais de milhões de anos antes da sociedade moderna existir”.

O câncer encontrado em um osso do pé (metatarso) foi identificado como um osteosarcoma, uma forma agressiva de câncer que geralmente afeta indivíduos jovens em seres humanos modernos. Se não tratado, o osteosarcoma normalmente resulta em óbito precoce. No ancestral não foi possível identificar se o osso do pé trata-se de um jovem ou adulto, nem se o câncer foi responsável pela morte do indivíduo, porém ele certamente afetou as habilidades de caminhar ou correr.

 

Referência: Odes EJ, Randolph-Quinney PS, Steyn M, Throckmorton Z, Smilg JS, Zipfel B, et al. Earliest hominin cancer: 1.7-million-yearold osteosarcoma from Swartkrans Cave, South Africa. S Afr J Sci. 2016;112(7/8),

 

Nós perdemos 10% das áreas selvagens do mundo nas últimas duas décadas

Uma área selvagem é ocupada por paisagens pristinas, livre de disturbâncias humanas como agricultura de larga escala, rodovias ou indústrias. Essas áreas são importantes por proverem redutos de hábitats para espécies ameaçadas, armazenar e sequestrar carbono, tamponar e regular o clima local, além de suportar muitas das comunidades mais politicamente e economicamente marginalizadas do mundo. Porém, as áreas selvagens recebem pouca atenção de gestores porque são consideradas livres de ameaças e, portanto não são prioridade nos esforços para a conservação.

Pesquisadores mediram mudanças temporais nas áreas selvagens globais comparando mapas dessas áreas a partir da década de 1990. Os resultados mostraram perdas alarmantes de um décimo (3.3 milhões de Km2) das áreas selvagens no mundo, especialmente na Amazônia (30%) e África Central (14%). Essa catastrófica taxa de perda representa o dobro de ganho de proteção das áreas selvagens nesse mesmo período.

 

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Perda global das áreas selvagens nas duas últimas décadas. Modificado de Watson et al (2016)

 

Para reduzir as taxas de destruição, os autores destacam a necessidade imediata de políticas internacionais para reconhecer os valores vitais das áreas selvagens e as ameaças sem precedentes que enfrentam, por meio de ações de conservação multifacetadas e em larga escala. Por exemplo, a criação de áreas protegidas grandes e multi-jurisdicionais, mega-corredores de conservação e estabelecimento de reservas de conservação comunitária para comunidades indígenas.

Referência: Watson JEM, Shanahan DF, Di Marco M, Sanderson EW, Mackey B, Venter O. 2016. Catastrophic Declines in Wilderness Areas Undermine Global Environment Targets. Current Biology 26: 1-6.

Crescendo mais rápido fora de casa: a incrível adaptação do invasor peixe-leão ao oceano Atlântico

Nativo do oceano Pacífico, o peixe-leão foi reportado no Atlântico pela primeira vez em meados da década de 1980. Desde então, esse invasor sofreu uma explosão populacional sem precedentes, aumentando sua área de ocorrência rapidamente ao longo do Atlântico tropical e subtropical, Caribe e Golfo do México.

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Área de invasão do peixe-leão no oceano Atlântico. Os círculos vermelhos representam os locais onde a espécie já foi encontrada.

Na área invadida, o peixe-leão provou ser um eficiente predador, consumindo uma grande variedade de invertebrados e principalmente peixes, podendo causar exoressivas reduções na abundância de pequenos peixes recifais. Esse fato é extremamente preocupante para a conservação marinha, tanto que a invasão do peixe-leão figura entre os principais “alertas vermelhos” da conservação no mundo. Comparações entre aspectos da biologia do peixe-leão nativo (Pacífico) e invasor (Atlântico) mostraram que quando invasora a espécie ocorre em maiores densidades (400 indivíduos por hectare vs. 26.3 indivíduos por hectare), alcança maior tamanho máximo (47.6 cm vs. 38 cm), além de consumir maiores e mais diversas presas do que indivíduos com tamanhos similares no seu habitat nativo.

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Altas densidades de peixe-leão encontradas na Flórida. Fonte: National Geographic

Para verificar diferenças nos padrões de crescimento entre as populações nativas e invasoras do peixe-leão, pesquisadores compararam as taxas de crescimento da espécie em dois sistemas insulares no Pacifico e dois no Atlântico. Indivíduos foram marcados e soltos para posterior captura. Os resultados mostraram que o peixe-leão invasor tem maiores taxas de crescimento para todos os tamanhos verificados. No geral, o peixe leão invasor cresceu entre 1.25 a 2.25 vezes mais rápido que o nativo.

Esses resultados evidenciam que além de crescer mais rápido, o peixe-leão consome mais presas, tem maior sobrevivência e potencial reprodutivo na área invadida. Isso ocorre porque a espécie tem muito poucos (ou não tem) inimigos naturais no oceano Atlântico, como predadores, parasitas, competidores e outros controladores bióticos, tornando-o um desigual competidor por recursos. No Brasil, já foram encontrados dois indivíduos. Entretanto ainda não é possível confirmar se a dispersão foi natural.

Pesquisadores seguem em busca de estratégias para controlar as crescentes populações do peixe-leão no Atlântico. Torcemos para que ele não dê as caras na costa brasileira.

Referência: Pusack TJ, Benkwitt CE, Cure K, Kindinger TL (2016) Invasive Red Lionfish (Pterois volitans) grow faster in the Atlantic Ocean than in their native Pacific range. Environmental Biology of Fishes. DOI 10.1007/s10641-016-0499-4 (as referências adicionais sobre densidade, crescimento e alimentação encontram-se nesse artigo)

 

Tubarão-da-Groenlândia pode viver mais de 400 anos e é o vertebrado mais longevo

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Maior tubarão encontrado pelos pesquisadores teve idade estimada em 392 anos. Foto: Paul Nicklen/National Geographic/Getty Images

O tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus) vive em águas profundas do oceano Ártico, em profundidades maiores que 100 metros. A espécie possui crescimento lento (menos de 1 cm ao ano) e atinge mais de cinco metros de comprimento, o que sugere uma alta longevidade. Para investigar quantos anos vive essa espécie, pesquisadores usaram a técnica de datação por radiocarbono em amostras de tecido da lente do olho de exemplares.

Analisando uma ampla variedade de tamanhos, os pesquisadores estimaram que o maior indivíduo, uma fêmea 502 centímetros, teria 392 anos de idade. Isso coloca o tubarão-da-Groenlândia como a espécie de vertebrado mais longevo, ultrapassando a baleia-da-Groenlândia (Balaena mysticetus) que teve idade estimada em 211 anos. Além disso, os pesquisadores estimam que as fêmeas de tubarões-da- Groenlândia atingem a maturidade sexual somente com 156 anos de idade.

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Tubarão-da-Groenlândia na superfície, após soltura do navio de pesquisa no norte da Groenlândia. Foto: Julius Nielsen/Science

Referência: Nielsen J et al (2016) Eye lens radiocarbon reveals centuries of longevity in the Greenland shark (Somniosus microcephalus). Science, doi: 10.1126/science.aaf3617

Biodiversidade é maior dentro do que fora de áreas protegidas terrestres

Áreas protegidas são consideradas essenciais para a conservação da biodiversidade. Entretanto ainda existem dúvidas sobre sua efetividade. Muitos países, incluindo o Brasil, ainda não conseguiram fazer com que as áreas protegidas cumpram seu papel em conservar a biodiversidade efetivamente.

Com essa questão em mente, grupo de pesquisadores liderados por Claudia Gray, da Universidade de Sussex, no Reino Unido, comparam dados de abundância e riqueza de 13.669 espécies de vertebrados, invertebrados e plantas dentro e fora de 359 áreas protegidas em 48 países. Os autores constataram que áreas protegidas contem 10.6% mais abundância (número de indivíduos) e 14.5% mais riqueza (número de espécies) de que áreas não protegidas. A maior diferença ocorreu entre os tipos de uso da terra: áreas protegidas são mais efetivas onde o uso humano da terra é minimizado, especialmente onde a vegetação primária ou secundária está conservada.  Foi constatado também que a proteção atual não beneficia consistentemente espécies com distribuição restrita e não aumenta a variedade de nichos ecológicos.

Esses resultados reforçam a importância das áreas protegidas, e a necessidade de se manter áreas sem interferência humana.

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Biodiversidade da Floresta Amazônica. Créditos: Billtacular

 

Referência: Gray CL, Hill SLL, Newbold T, Hudson LN, Borger L, Contu S, Hoskins AJ, Ferrier S, Purvis A, Scharlemann PW. 2016. Local biodiversity is higher inside than outside terrestrial protected areas worldwide. Nature Communications 7: 12306

 

 

Conheça o mais novo peixe habitante da costa brasileira

Um estudo liderado pelo professor Claudio Sampaio da Universidade Federal de Alagoas acaba de revelar que a costa brasileira abriga mais uma espécie de peixe. E não se trata de um invasor perigoso e fruto da ação humana, como o peixe-leão. Ainda sem nome popular no Brasil, Lachnolaimus maximus é um peixe da família Labridae, um primo dos budiões. A espécie ocorre no oceano Atlântico, dos Estados Unidos a Guiana Francesa. No Brasil, somente alguns indivíduos viajantes haviam sido reportados até então. Porém, os autores compilaram 17 registros de ocorrência da espécie em seis estados da costa brasileira, entre 2000 e 2015. Existe inclusive um registro para o Estado do Paraná, na região Sul. Esse montante é uma concreta evidência de que L. maximus estabeleceu população na costa brasileira. Isso significa uma extensão de 3.000 km na área de ocorrência da espécie.

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Lachnolaimus maximus, o novo habitante dos mares brasileiros. 

Apesar da boa novidade, a espécie está listada atualmente como vulnerável a ameaça de extinção, devido à pesca excessiva e coleta para aquariofilia. Considerando que a população do Brasil ainda é pequena, os autores recomendam que a pesca e coleta da espécie sejam restringidas.

Fique ligado, pois esse belo peixe pode te fazer companhia no próximo mergulho!

Referência:

Sampaio CLS, Santander-Neto J, Costa TLA (2016) Hogfish Lachnolaimus maximus (Labridae) confirmed in the south-western Atlantic Ocean. Journal of Fish Biology, DOI:10.1111/jfb.13075 PS: o artigo não possui livre acesso, mas pode ser solicitado através do e-mail buiabahia@gmail.com

O tubarão-martelo amarelo e sua quase extinção na costa brasileira

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Raro registro de um tubarão-martelo amarelo vivo.Retirado de: https://sta.uwi.edu/fst/lifesciences/documents/Sphyrna_tudes.pdf

Conhecido popularmente como tubarão-martelo amarelo ou panã-amarela, Sphyrna tudes é um tubarão que vive na região costeira, em estuários e manguezais. É um dos menores tubarões-martelo, pesando até 11 kg. A espécie era encontrada em toda a costa brasileira, mas atualmente está desaparecida e tem pouquíssimos registros por ano no norte e nordeste. Esse sumiço levou os pesquisadores a classificarem-no como criticamente ameaçado na lista oficial de espécies ameaçadas (atualmente suspensa). Mas afinal, o que levou esse belo tubarãozinho a quase desaparecer da nossa costa?

Para responder essa pergunta, pesquisadores usaram um importante, e cada vez mais usado, método para se conseguir informações sobre espécies carentes de dados biológicos da pesquisa convencional: o conhecimento empírico dos pescadores. Afinal, alguém conhece mais de peixe do que os próprios pescadores? No Banco dos Abrolhos, pescadores foram entrevistados e informaram sobre as capturas, história de vida e possíveis causas do sumiço dessa espécie.

O tamanho dos tubarões capturados está reduzindo ao longo das gerações de pescadores. Isso é uma forte evidencia de sobrepesca, porque quando retiramos mais indivíduos do que o ambiente pode produzir, a quantidade e tamanho das capturas vão reduzindo até a pesca colapsar. Todos os entrevistados concordaram que a espécie está sofrendo declínio populacional na região, inclusive que não ocorreram nos últimos cinco anos. A causa mencionada para esse sumiço da espécie foi o excesso de pesca, especialmente a pesca com rede de espera e arrasto.

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Pescadores mais jovens tem capturado indivíduos cada vez menores. O referencial de tamanho máximo está reduzindo ao longo das gerações. Adaptado de: http://st.sustainability.k.u-tokyo.ac.jp/2015/06/17/the-shifting-baseline-syndrome/

Como impedir a extinção dessa espécie? A dica foi dada pelos pescadores! Redução na pressão da pesca com rede de espera e arrasto. Para isso, é necessário gerenciar melhor a pesca e criar áreas de proteção integral ao longo da costa.

Referência:

Giglio JV, Bornatowski. 2016. Fishers’ ecological knowledge of smalleye hammerhead, Sphyrna tudes , in a tropical estuary. Neotropical Ichthyology 14(2): e150103

Palavras-chave:

Sobrepesca: retirada (pesca) de organismos do ambiente acima da capacidade máxima sustentável, acarretando em declínios populacionais e inviabilidade da atividade a longo prazo.

Escrito por: Vinicius Giglio