Nós perdemos 10% das áreas selvagens do mundo nas últimas duas décadas

Uma área selvagem é ocupada por paisagens pristinas, livre de disturbâncias humanas como agricultura de larga escala, rodovias ou indústrias. Essas áreas são importantes por proverem redutos de hábitats para espécies ameaçadas, armazenar e sequestrar carbono, tamponar e regular o clima local, além de suportar muitas das comunidades mais politicamente e economicamente marginalizadas do mundo. Porém, as áreas selvagens recebem pouca atenção de gestores porque são consideradas livres de ameaças e, portanto não são prioridade nos esforços para a conservação.

Pesquisadores mediram mudanças temporais nas áreas selvagens globais comparando mapas dessas áreas a partir da década de 1990. Os resultados mostraram perdas alarmantes de um décimo (3.3 milhões de Km2) das áreas selvagens no mundo, especialmente na Amazônia (30%) e África Central (14%). Essa catastrófica taxa de perda representa o dobro de ganho de proteção das áreas selvagens nesse mesmo período.

 

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Perda global das áreas selvagens nas duas últimas décadas. Modificado de Watson et al (2016)

 

Para reduzir as taxas de destruição, os autores destacam a necessidade imediata de políticas internacionais para reconhecer os valores vitais das áreas selvagens e as ameaças sem precedentes que enfrentam, por meio de ações de conservação multifacetadas e em larga escala. Por exemplo, a criação de áreas protegidas grandes e multi-jurisdicionais, mega-corredores de conservação e estabelecimento de reservas de conservação comunitária para comunidades indígenas.

Referência: Watson JEM, Shanahan DF, Di Marco M, Sanderson EW, Mackey B, Venter O. 2016. Catastrophic Declines in Wilderness Areas Undermine Global Environment Targets. Current Biology 26: 1-6.

Crescendo mais rápido fora de casa: a incrível adaptação do invasor peixe-leão ao oceano Atlântico

Nativo do oceano Pacífico, o peixe-leão foi reportado no Atlântico pela primeira vez em meados da década de 1980. Desde então, esse invasor sofreu uma explosão populacional sem precedentes, aumentando sua área de ocorrência rapidamente ao longo do Atlântico tropical e subtropical, Caribe e Golfo do México.

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Área de invasão do peixe-leão no oceano Atlântico. Os círculos vermelhos representam os locais onde a espécie já foi encontrada.

Na área invadida, o peixe-leão provou ser um eficiente predador, consumindo uma grande variedade de invertebrados e principalmente peixes, podendo causar exoressivas reduções na abundância de pequenos peixes recifais. Esse fato é extremamente preocupante para a conservação marinha, tanto que a invasão do peixe-leão figura entre os principais “alertas vermelhos” da conservação no mundo. Comparações entre aspectos da biologia do peixe-leão nativo (Pacífico) e invasor (Atlântico) mostraram que quando invasora a espécie ocorre em maiores densidades (400 indivíduos por hectare vs. 26.3 indivíduos por hectare), alcança maior tamanho máximo (47.6 cm vs. 38 cm), além de consumir maiores e mais diversas presas do que indivíduos com tamanhos similares no seu habitat nativo.

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Altas densidades de peixe-leão encontradas na Flórida. Fonte: National Geographic

Para verificar diferenças nos padrões de crescimento entre as populações nativas e invasoras do peixe-leão, pesquisadores compararam as taxas de crescimento da espécie em dois sistemas insulares no Pacifico e dois no Atlântico. Indivíduos foram marcados e soltos para posterior captura. Os resultados mostraram que o peixe-leão invasor tem maiores taxas de crescimento para todos os tamanhos verificados. No geral, o peixe leão invasor cresceu entre 1.25 a 2.25 vezes mais rápido que o nativo.

Esses resultados evidenciam que além de crescer mais rápido, o peixe-leão consome mais presas, tem maior sobrevivência e potencial reprodutivo na área invadida. Isso ocorre porque a espécie tem muito poucos (ou não tem) inimigos naturais no oceano Atlântico, como predadores, parasitas, competidores e outros controladores bióticos, tornando-o um desigual competidor por recursos. No Brasil, já foram encontrados dois indivíduos. Entretanto ainda não é possível confirmar se a dispersão foi natural.

Pesquisadores seguem em busca de estratégias para controlar as crescentes populações do peixe-leão no Atlântico. Torcemos para que ele não dê as caras na costa brasileira.

Referência: Pusack TJ, Benkwitt CE, Cure K, Kindinger TL (2016) Invasive Red Lionfish (Pterois volitans) grow faster in the Atlantic Ocean than in their native Pacific range. Environmental Biology of Fishes. DOI 10.1007/s10641-016-0499-4 (as referências adicionais sobre densidade, crescimento e alimentação encontram-se nesse artigo)

 

Tubarão-da-Groenlândia pode viver mais de 400 anos e é o vertebrado mais longevo

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Maior tubarão encontrado pelos pesquisadores teve idade estimada em 392 anos. Foto: Paul Nicklen/National Geographic/Getty Images

O tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus) vive em águas profundas do oceano Ártico, em profundidades maiores que 100 metros. A espécie possui crescimento lento (menos de 1 cm ao ano) e atinge mais de cinco metros de comprimento, o que sugere uma alta longevidade. Para investigar quantos anos vive essa espécie, pesquisadores usaram a técnica de datação por radiocarbono em amostras de tecido da lente do olho de exemplares.

Analisando uma ampla variedade de tamanhos, os pesquisadores estimaram que o maior indivíduo, uma fêmea 502 centímetros, teria 392 anos de idade. Isso coloca o tubarão-da-Groenlândia como a espécie de vertebrado mais longevo, ultrapassando a baleia-da-Groenlândia (Balaena mysticetus) que teve idade estimada em 211 anos. Além disso, os pesquisadores estimam que as fêmeas de tubarões-da- Groenlândia atingem a maturidade sexual somente com 156 anos de idade.

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Tubarão-da-Groenlândia na superfície, após soltura do navio de pesquisa no norte da Groenlândia. Foto: Julius Nielsen/Science

Referência: Nielsen J et al (2016) Eye lens radiocarbon reveals centuries of longevity in the Greenland shark (Somniosus microcephalus). Science, doi: 10.1126/science.aaf3617

Biodiversidade é maior dentro do que fora de áreas protegidas terrestres

Áreas protegidas são consideradas essenciais para a conservação da biodiversidade. Entretanto ainda existem dúvidas sobre sua efetividade. Muitos países, incluindo o Brasil, ainda não conseguiram fazer com que as áreas protegidas cumpram seu papel em conservar a biodiversidade efetivamente.

Com essa questão em mente, grupo de pesquisadores liderados por Claudia Gray, da Universidade de Sussex, no Reino Unido, comparam dados de abundância e riqueza de 13.669 espécies de vertebrados, invertebrados e plantas dentro e fora de 359 áreas protegidas em 48 países. Os autores constataram que áreas protegidas contem 10.6% mais abundância (número de indivíduos) e 14.5% mais riqueza (número de espécies) de que áreas não protegidas. A maior diferença ocorreu entre os tipos de uso da terra: áreas protegidas são mais efetivas onde o uso humano da terra é minimizado, especialmente onde a vegetação primária ou secundária está conservada.  Foi constatado também que a proteção atual não beneficia consistentemente espécies com distribuição restrita e não aumenta a variedade de nichos ecológicos.

Esses resultados reforçam a importância das áreas protegidas, e a necessidade de se manter áreas sem interferência humana.

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Biodiversidade da Floresta Amazônica. Créditos: Billtacular

 

Referência: Gray CL, Hill SLL, Newbold T, Hudson LN, Borger L, Contu S, Hoskins AJ, Ferrier S, Purvis A, Scharlemann PW. 2016. Local biodiversity is higher inside than outside terrestrial protected areas worldwide. Nature Communications 7: 12306

 

 

Conheça o mais novo peixe habitante da costa brasileira

Um estudo liderado pelo professor Claudio Sampaio da Universidade Federal de Alagoas acaba de revelar que a costa brasileira abriga mais uma espécie de peixe. E não se trata de um invasor perigoso e fruto da ação humana, como o peixe-leão. Ainda sem nome popular no Brasil, Lachnolaimus maximus é um peixe da família Labridae, um primo dos budiões. A espécie ocorre no oceano Atlântico, dos Estados Unidos a Guiana Francesa. No Brasil, somente alguns indivíduos viajantes haviam sido reportados até então. Porém, os autores compilaram 17 registros de ocorrência da espécie em seis estados da costa brasileira, entre 2000 e 2015. Existe inclusive um registro para o Estado do Paraná, na região Sul. Esse montante é uma concreta evidência de que L. maximus estabeleceu população na costa brasileira. Isso significa uma extensão de 3.000 km na área de ocorrência da espécie.

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Lachnolaimus maximus, o novo habitante dos mares brasileiros. 

Apesar da boa novidade, a espécie está listada atualmente como vulnerável a ameaça de extinção, devido à pesca excessiva e coleta para aquariofilia. Considerando que a população do Brasil ainda é pequena, os autores recomendam que a pesca e coleta da espécie sejam restringidas.

Fique ligado, pois esse belo peixe pode te fazer companhia no próximo mergulho!

Referência:

Sampaio CLS, Santander-Neto J, Costa TLA (2016) Hogfish Lachnolaimus maximus (Labridae) confirmed in the south-western Atlantic Ocean. Journal of Fish Biology, DOI:10.1111/jfb.13075 PS: o artigo não possui livre acesso, mas pode ser solicitado através do e-mail buiabahia@gmail.com

O tubarão-martelo amarelo e sua quase extinção na costa brasileira

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Raro registro de um tubarão-martelo amarelo vivo.Retirado de: https://sta.uwi.edu/fst/lifesciences/documents/Sphyrna_tudes.pdf

Conhecido popularmente como tubarão-martelo amarelo ou panã-amarela, Sphyrna tudes é um tubarão que vive na região costeira, em estuários e manguezais. É um dos menores tubarões-martelo, pesando até 11 kg. A espécie era encontrada em toda a costa brasileira, mas atualmente está desaparecida e tem pouquíssimos registros por ano no norte e nordeste. Esse sumiço levou os pesquisadores a classificarem-no como criticamente ameaçado na lista oficial de espécies ameaçadas (atualmente suspensa). Mas afinal, o que levou esse belo tubarãozinho a quase desaparecer da nossa costa?

Para responder essa pergunta, pesquisadores usaram um importante, e cada vez mais usado, método para se conseguir informações sobre espécies carentes de dados biológicos da pesquisa convencional: o conhecimento empírico dos pescadores. Afinal, alguém conhece mais de peixe do que os próprios pescadores? No Banco dos Abrolhos, pescadores foram entrevistados e informaram sobre as capturas, história de vida e possíveis causas do sumiço dessa espécie.

O tamanho dos tubarões capturados está reduzindo ao longo das gerações de pescadores. Isso é uma forte evidencia de sobrepesca, porque quando retiramos mais indivíduos do que o ambiente pode produzir, a quantidade e tamanho das capturas vão reduzindo até a pesca colapsar. Todos os entrevistados concordaram que a espécie está sofrendo declínio populacional na região, inclusive que não ocorreram nos últimos cinco anos. A causa mencionada para esse sumiço da espécie foi o excesso de pesca, especialmente a pesca com rede de espera e arrasto.

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Pescadores mais jovens tem capturado indivíduos cada vez menores. O referencial de tamanho máximo está reduzindo ao longo das gerações. Adaptado de: http://st.sustainability.k.u-tokyo.ac.jp/2015/06/17/the-shifting-baseline-syndrome/

Como impedir a extinção dessa espécie? A dica foi dada pelos pescadores! Redução na pressão da pesca com rede de espera e arrasto. Para isso, é necessário gerenciar melhor a pesca e criar áreas de proteção integral ao longo da costa.

Referência:

Giglio JV, Bornatowski. 2016. Fishers’ ecological knowledge of smalleye hammerhead, Sphyrna tudes , in a tropical estuary. Neotropical Ichthyology 14(2): e150103

Palavras-chave:

Sobrepesca: retirada (pesca) de organismos do ambiente acima da capacidade máxima sustentável, acarretando em declínios populacionais e inviabilidade da atividade a longo prazo.

Escrito por: Vinicius Giglio

Uso de um simples check list pré-mergulho pode reduzir em até 36% o número de incidentes

Incidentes são eventos não planejados e não desejados. No mergulho, eles são causados por erro humano, falha no equipamento ou fatores ambientais adversos e podem resultar em graves acidentes. Durante o curso de mergulho ou em outro momento, é bem provável que você já tenha ouvido de algum instrutor sobre a importância de se fazer um check list para não ter problemas durante a atividade, como o esquecimento ou mau funcionamento de algum equipamento.

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O uso do check lists é comum entre os mergulhadores técnicos. 

Por meio de um experimento, pesquisadores da DAN verificaram o efeito do uso de um check list pré-mergulho na ocorrência de incidentes entre mergulhadores. O estudo envolveu mergulhadores de três localidades: Carolina do Norte, nos Estados Unidos, Cozumel e Ilhas Cayman, no Caribe. Os pesquisadores desenvolveram um check list que orientou os mergulhadores a fazerem simples testes no equipamento e descrevia algumas dicas sobre o planejamento do mergulho e princípios básicos de segurança durante a atividade.

Um grupo de mergulhadores que desconhecia os objetivos da pesquisa recebeu o check list antes do mergulho, enquanto outro grupo não recebeu. Após a atividade, os mergulhadores reportaram o tipo e quantidade de incidentes ocorridos, classificados como menores (ex. máscara embaçada, tira da máscara ou nadadeira estourada, confusão nas duplas, torneira de ar fechada ou pouco aberta) ou maiores (ex. descida rápida, perda de contato com o dupla, enroscamento ou compartilhamento de ar com o dupla).

Entre os 1043 mergulhadores que participaram do experimento, um quarto reportou a ocorrência de incidentes maiores ou menores, variando de um a sete por pessoa. O grupo que recebeu o check list teve 26% menos incidentes maiores e 36% menos incidentes menores. Dada a efetividade dessa ferramenta, os autores sugerem que escolas, operadoras e outras instituições relacionadas ao mergulho promovam o uso do check list na comunidade do mergulho.

Peça para seu instrutor te fornecer um check list, use-o e desfrute do mergulho com mais segurança!

Referência:

Ranapurwala SI, Denoble PJ, Poole C, Kucera KL, Marshall SW, Wing S (2015) The effect of using a pre-dive checklist on the incidence of diving mishaps in recreational scuba diving: a cluster-randomized trial.

Glossário:

Check list: lista impressa usada antes de uma determinada atividade para conferência e releitura de equipamentos, regras, medidas de segurança, etc.

DAN (Divers Alert Network): uma organização internacional de pesquisa, sem fins lucrativos, dedicada à segurança e à saúde de mergulhadores recreativos.

Escrito por: Vinicius Giglio

 

Estudo constata que ter vista para o mar está ligada a uma melhor saúde mental

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Um estudo publicado recentemente na revista Health & Place, é o primeiro a encontrar uma relação entre níveis baixos de stress e o ato de observar o mar, referida pelos pesquisadores de  espaço azul.
Utilizando dados de topografia, a geógrafa Amber Pearson estudou a visibilidade dos espaços azuis e verdes a partir de locais residenciais em Wellington, Nova Zelândia, uma capital urbana cercada pelo Mar da Tasmânia ao norte e o  Oceano Pacífico ao sul. O espaço verde inclui florestas e parques verdejantes.

“O aumento do tempo de avistamento do espaço azul é significativamente associado com níveis mais baixos de estresse psicológico”, relata Pearson. No entanto, não encontramos o mesmo com o espaço verde.”

“Esse resultado pode ter ocorrido devido ao espaço azul ser natural, enquanto o espaço verde incluiu áreas criadas pelo homem, tais como campos e campos desportivos, bem como áreas naturais, como florestas nativas”, disse Pearson.”Talvez se olhássemos só para florestas nativas, poderíamos encontrar resultados diferentes”.

Mesmo depois de levar em consideração fatores como: riqueza, idade, sexo e moradores de bairros vizinhos, o estudo conclui que ter uma vista para o mar foi associada com a melhoria da saúde mental. Isso pode estar relacionado não só com o avistamento do oceano, mas também a outros estímulos sensoriais, como o som das ondas e o cheiro do ar que vem do oceano.

Levando em consideração que angústia, ansiedade e outros tipos de transtornos mentais é cada vez mais recorrente na população mundial, é comprovadamente necessário termos maior contato com a natureza.

Esta ai mais um excelente motivo para você frequentar cada vez mais nossas praias e ajudar a conservar os oceanos.

Referência: Nutsford D, Pearson AL, Kingham S, Reitsma F. (2016). Residential exposure to visible blue space (but not green space) associated with lower psychological distress in a capital city. Health & Place 39, 70-78.

Glossário:

Espaços verdes: podem variar ligeiramente entre os usuários, este termo tende a incluir áreas abertas de vegetação (por exemplo, parques, campos desportivos) e áreas de conservação (por exemplo, florestas), mas também pode incluir quintal jardins, fazendas ou qualquer outro espaço predominantemente cobertas de vegetação.

Espaço azul: inclui corpos de água (por exemplo, lagos,oceanos, rios, etc.), mas raramente inclui locais feito por humanos (por exemplo, fontes de água ou esculturas).

Postado por: Jemilli Viaggi

Nova espécie de raia de água doce é descrita na Amazônia

Uma nova espécie de raia da família Potamotrygonidae foi recentemente descrita para a bacia do Rio Negro, no Amazonas. Essa família é composta de raias de água doce que ocorrem em bacias hidrográficas da América do Sul. A nova espécie foi nomeada como Potamotrygon wallacei e é popularmente conhecida como “raia cururu”. É endêmica da bacia do Rio Negro e tem sido identificada erroneamente por pesquisadores e aquaristas como outras espécies. Seu padrão de coloração é único para o gênero, com uma superfície do disco dorsal marrom clara e formas negras de formato irregular. É uma raia de pequeno tamanho. Dos 71 exemplares examinados pelos pesquisadores, o tamanho tamanho máximo foi de 31 centímetros de comprimento de disco.

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Registros da nova espécie de raia amazônica, Potamotrygon wallacei. Créditos: A: aquabr.com.br/artigos/peixes/arraia-de-agua-doce; B e C: R. Hardwick

O nome da espécie “wallacei” é em homenagem a Alfred Russel Wallace (1823-1913), o primeiro naturalista a observar e ilustrar esta espécie durante suas viagens ao Rio Negro por volta de 1850.

P. wallacei ocorre em águas escuras com níveis baixos de pH e oxigênio dissolvido. Também habita afluentes de águas escuras da bacia do Rio Negro, conhecidos como “igarapés”, que possuem fundos de areia e cobertura de serapilheira abundantes, incluindo folhas e troncos de árvores caídas da floresta inundada, conhecidas como “igapó”.

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Locais onde foram coletados indivíduos da nova espécie de raia endêmica da Bacia do Rio Negro.

 

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Habitats típicos da nova espécie, Potamotrygon wallacei, na bacia do Rio Negro.

 

Referência: Carvalho MR, Rosa RS, Araújo MLG (2016) A new species of Neotropical freshwater stingray (Chondrichthyes: Potamotrygonidae) from the Rio Negro, Amazonas, Brazil: the smallest species of Potamotrygon. Zootaxa 4107(4): 566-586. Ps: o artigo tem acesso livre, mas para fazer o download é necessário fazer um cadastro no site do periódico.

Glossário:

Espécie endêmica: que ocorre somente em uma determinada área ou região geográfica. O endemismo é causado por quaisquer barreiras físicas, climáticas e biológicas que delimitem com eficácia a distribuição de uma espécie ou provoquem a sua separação do grupo original. Quando a separação ocorre por um longo período, o grupo isolado sofre uma seleção natural que desenvolve nele uma diferenciação de outros membros da espécie. Clique para saber mais

 

 

Apenas 7% da Grande Barreira de Corais da Austrália não foi afetada pelo branqueamento

Cientistas da força tarefa sobre o branqueamento de corais na Austrália reveleram recentemente a extensão do branqueamento de corais na Grande Barreira.

Os resultados finais de extensas amostragens aéreas e subaquáticas revelaram que 93% dos recifes foram afetados. Foi verificada uma mistura de danos severos, moderados e pequenos que mudam dramaticamente do norte para o sul ao longo dos 2300 km de recifes (ver mapa abaixo).

“Essa tem sido a expedição de pesquisa mais triste da minha vida”, relata o professor Terry Hughes, da James Cook University. “Nunca vi nada parecido com esta escala de branqueamento antes. No norte da Grande Barreira de Corais, é como se 10 ciclones ocorressem de uma só vez”, afirma Hughes, líder do grupo de trabalho sobre branqueamento de corais, que está documentando o evento. “Na região sul, a maioria dos recifes apresentou branqueamento de menor a moderado e deve se recuperar em breve.”

Mapa da grande barreira de corais mostrando os resultados das amostragens em 911 recifes. Adaptado de ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies / Tom Bridge e James Kerry

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Mapa da Grande Barreira de Corais mostrando os resultados das amostragens em 911 recifes. Adaptado de ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies / Tom Bridge e James Kerry

 

A indústria do turismo australiana tem um compromisso de longa data em proteger seu mais valioso recurso natural, a Grande Barreira de Corais. O turismo nesses recifes gera gera uma renda anual de US$ 5 bilhões, e emprega cerca de 70.000 pessoas. As mudanças climáticas são a maior ameaça para os recifes e as pessoas que dependem dele para sua subsistência.

“Felizmente, muitas partes do recife ainda estão saudáveis, mas não podemos simplesmente ignorar o branqueamento do coral e criar a falsa esperança de uma rápida recuperação. Temos que desenvolver políticas de curto prazo para mitigar os danos ambientais a longo prazo, incluindo os impactos sobre o recife “, diz Daniel Gschwind, presidente-executivo do Conselho da Indústria de turismo de Queensland.

 

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Branqueamento de corais na Grande Barreira da Austrália, em Lizard Island. Créditos, foto da esquerda: Dorothea Bender; direita: Mia Hoogenboom. ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies.