Crescendo mais rápido fora de casa: a incrível adaptação do invasor peixe-leão ao oceano Atlântico

Nativo do oceano Pacífico, o peixe-leão foi reportado no Atlântico pela primeira vez em meados da década de 1980. Desde então, esse invasor sofreu uma explosão populacional sem precedentes, aumentando sua área de ocorrência rapidamente ao longo do Atlântico tropical e subtropical, Caribe e Golfo do México.

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Área de invasão do peixe-leão no oceano Atlântico. Os círculos vermelhos representam os locais onde a espécie já foi encontrada.

Na área invadida, o peixe-leão provou ser um eficiente predador, consumindo uma grande variedade de invertebrados e principalmente peixes, podendo causar exoressivas reduções na abundância de pequenos peixes recifais. Esse fato é extremamente preocupante para a conservação marinha, tanto que a invasão do peixe-leão figura entre os principais “alertas vermelhos” da conservação no mundo. Comparações entre aspectos da biologia do peixe-leão nativo (Pacífico) e invasor (Atlântico) mostraram que quando invasora a espécie ocorre em maiores densidades (400 indivíduos por hectare vs. 26.3 indivíduos por hectare), alcança maior tamanho máximo (47.6 cm vs. 38 cm), além de consumir maiores e mais diversas presas do que indivíduos com tamanhos similares no seu habitat nativo.

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Altas densidades de peixe-leão encontradas na Flórida. Fonte: National Geographic

Para verificar diferenças nos padrões de crescimento entre as populações nativas e invasoras do peixe-leão, pesquisadores compararam as taxas de crescimento da espécie em dois sistemas insulares no Pacifico e dois no Atlântico. Indivíduos foram marcados e soltos para posterior captura. Os resultados mostraram que o peixe-leão invasor tem maiores taxas de crescimento para todos os tamanhos verificados. No geral, o peixe leão invasor cresceu entre 1.25 a 2.25 vezes mais rápido que o nativo.

Esses resultados evidenciam que além de crescer mais rápido, o peixe-leão consome mais presas, tem maior sobrevivência e potencial reprodutivo na área invadida. Isso ocorre porque a espécie tem muito poucos (ou não tem) inimigos naturais no oceano Atlântico, como predadores, parasitas, competidores e outros controladores bióticos, tornando-o um desigual competidor por recursos. No Brasil, já foram encontrados dois indivíduos. Entretanto ainda não é possível confirmar se a dispersão foi natural.

Pesquisadores seguem em busca de estratégias para controlar as crescentes populações do peixe-leão no Atlântico. Torcemos para que ele não dê as caras na costa brasileira.

Referência: Pusack TJ, Benkwitt CE, Cure K, Kindinger TL (2016) Invasive Red Lionfish (Pterois volitans) grow faster in the Atlantic Ocean than in their native Pacific range. Environmental Biology of Fishes. DOI 10.1007/s10641-016-0499-4 (as referências adicionais sobre densidade, crescimento e alimentação encontram-se nesse artigo)

 

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