Sobre a necessidade urgente de instalação de poitas nos pontos de mergulho em Arraial do Cabo

Poitas são equipamentos importantes para conservar a biodiversidade, especialmente em destinos de mergulho no qual as embarcações necessitam estar próximas aos costões rochosos ou recifes coralíneos. As poitas eliminam a necessidade das embarcações lançarem suas âncoras sobre o substrato consolidado (rochas e recifes coralíneos), ondem habitam organismos sensíveis como corais, gorgônias e esponjas. A ancoragem pode causar danos a esses organismos, devido ao atrito com as âncoras e seus cabos.

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Ilustração de uma poita de atracamento de embarcações

Entretanto, na Reserva Extrativista Marinha (RESEXMar) de Arraial do Cabo, um dos mais frequentados destinos para entre mergulhadores no Brasil, não existem poitas nos pontos de mergulho. Apesar de um sistema de poitas ser solicitado há alguns anos por pesquisadores e operadores de mergulho, as âncoras ainda são lançadas diariamente nos costões rochosos. Isso se deve a entraves burocráticos entre ICMBio, beneficiários da RESEXMar e Marinha. Como medida de mitigar os possíveis impactos, os gestores estabeleceram que as âncoras secundárias (fixadas nos costões rochosos) devem ser colocadas manualmente pelos condutores de mergulho, evitando locais que ocorram organismos bentônicos.

Em um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense, foram verificados os danos causados pelas âncoras aos corais, gorgônias e outros organismos bentônicos. Os resultados revelaram que mesmo sendo colocadas manualmente, as âncoras continuam causando danos aos organismos bentônicos. Apesar dos danos serem em menor escala devido a colocação manual, nos atuais níveis de visitação, a ancoragem foi considerada como um importante estressor aos organismos bentônicos da RESEXMar de Arraial do Cabo. Estes danos contribuem para a redução da complexidade do recife, causando efeitos negativos ao longo de toda a cadeia trófica do recife. Também foi verificado que a colocação manual das âncoras traz riscos a segurança dos mergulhadores que as instalam e removem do recife, devido a possibilidade de choque mecânico com o recife.

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Danos causados aos organismos bentônicos da RESEXMar de Arraial do Cabo. a) âncora danificando uma colônia de coral-de-fogo (Millepora alcicornis) b e c) âncora a cabo danificando colônias de baba-de-boi (Palythoa caribaeorum); d) cabo suspendendo uma colônia do coral Siderastrea stellata. Fotos tiradas por Vinicius Giglio

Para eliminar os impactos aos organismos bentônicos, os pesquisadores sugerem a urgente instalação de um sistema de poitas nos principais pontos de mergulho. O custo seria mínimo para um local que gera tanta renda por meio de turismo de mergulho.

Referência: Giglio VJ, Ternes MLF, Mendes TC, Cordeiro CAMM, Ferreira CEL (2017) Anchoring damages to benthic organisms in a subtropical scuba dive hotspot. Journal of Coastal Conservation 21(2): 311-316. PDF

Agregações reprodutivas: o calcanhar de Aquiles dos peixes recifais

Agregações reprodutivas são eventos no qual os peixes de uma região se juntam num determinado local todos os anos e na mesma época para se reproduzirem. Algumas agregações chegam a ter milhares de indivíduos, como a da garoupa-de-nassau, Epinephelus striatus (veja vídeo abaixo). Esse também é o momento em que os peixes ficam mais vulneráveis à pesca. Por exemplo, o esforço de pesca de alguns poucos pescadores podem capturar uma agregação inteira de espécies como o mero Epinephelus itajara. Para agravar o problema, a pesca desordenada em uma agregação pode comprometer os indivíduos maduros e as gerações consequentes, pois se ainda não tiver ocorrido a desova, não haverá próxima geração.

Nesse contexto, proteger os locais de agregação dos peixes recifais é essencial para garantir a saúde dos estoques pesqueiros. Iniciativas de sucesso têm sido a aplicação de uma moratória sazonal na época das agregações reprodutivas, ou cotas limites para capturas nesse período.

Em um estudo publicado recentemente, foram mapeados os locais de agregação de meros na costa brasileira. A espécie é o primeiro peixe marinho a ter uma moratória de pesca específica no Brasil desde 2002, devido aos declínios consideráveis nas capturas. Entretanto, grandes volumes de capturas ilegais têm sido reportadas para a costa brasileira. Os meros formam agregações com dezenas de indivíduos e se tornam alvos fáceis da pesca nesse período. Conhecer esses locais é o primeiro passo para se elaborar medidas de gestão que possa auxiliar no combate a pesca ilegal da espécie.

Para mapear as agregações, os pesquisadores usaram informações e registros fotográficos repassados por pescadores, mergulhadores e pesquisadores. Foram descritos 98 registros de agregações em 11 pontos na costa brasileira, entre 1993 e 2015. A maioria das agregações foi registrada no verão e na região sul, geralmente em estruturas artificiais, como recifes artificiais e monobóias do setor petrolífero. Foram registrados eventos de pesca ilegal durante agregações, principalmente no nordeste e norte do Brasil. Os autores sugerem ações de fiscalização nesses locais na época de agregação para reduzir a pesca ilegal e contribuir para a recuperação populacional dos meros.

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Agregações de meros na costa brasileira: a) Apreensão na RESEX de Cururupú, no Pará; b) Parque dos Meros, no Paraná; c) Banco dos Abrolhos, na Bahia; d) Monobóia, em Santa Catarina. Créditos: a) Gerex IBAMA; b) M. Krause; c) Rivelino Nova Viçosa; d) Jonas Leite

Referência: Giglio VJ, Leite JR, Freitas MO, Hostim-Silva M (2016) Mapping goliath grouper aggregations in the southwestern Atlantic. Brazilian Journal of Oceanography 64(4): 417-420. PDF

Peixe-serra: um gigante dócil, enigmático e a beira da extinção

Você já ouviu falar em um peixe gigante e dócil, que atinge cerca de 7 metros e tem uma serra na ponta da cabeça que pode chegar a dois metros? Isso mesmo, é uma serra que ele usa para atordoar suas presas, pequenos peixes e crustáceos.

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Esse maravilhoso e enigmático peixe ocorreu praticamente ao longo de toda a costa brasileira, em áreas costeiras, principalmente manguezais e estuários. Duas espécies são registradas, Pristis pristis e Pristis pectinata. Elas são diferenciadas através do espaçamentos entre os dentículos da serra, P. pristis tem os dentes mais espaçados e largos e P. pectinata tem os dentes menos espaçados e menores.

Porém, as próximas notícias não são nem um pouco animadoras. Ambas as espécies são classificadas globalmente pela União Internacional para a Conservação da Natureza como criticamente ameaçadas de extinção. No Brasil, em poucas décadas esses peixes desapareceram praticamente de toda a nossa costa. Como medida precaucionaria, ambas as espécies tiveram a pesca e comercialização proibidas no Brasil desde 2004. Entretanto, infelizmente, P. pectinata já pode ser considerado extinto no país e os últimos indivíduos de P. pristis estão sendo capturados ilegalmente na região norte e geralmente vendidos filetados como outras espécies de tubarões e raias. A extinção dessas espécies está sendo testemunhada ela nossa geração.

Para tentar entender como ocorreu o declínio das capturas de P. pristis nas últimas décadas, nos últimos dois anos pesquisadores entrevistaram pescadores para obter registros de capturas nos estuários do estado da Bahia, um tradicional ponto de ocorrência da espécie. O incremento de novas tecnologias de pesca, especialmente as redes e o aumento do esforço foram os fatores determinantes para o desaparecimento das espécies, que são alvos fáceis das redes por se enroscarem em seu rostro, impossibilitando as chances de fuga. A quantidade e tamanho de peixes-serra capturados foram reduzindo rapidamente ao longo das gerações de pescadores, no qual o referencial de tamanho e abundância dos pescadores mais antigos só é conhecido por seus relatos.

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Peixe-serra capturado na Índia. Repare na rede toda enroscada no rostro ou serra do peixe, impossibilitando sua fuga. Assim como no Brasil, os últimos invidíduos estão sendo pescados por lá.

 

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Peixe-serra (Pristis pristis) capturado ilagalmente no município de Alcantâra, no estado do Maranhão em Junho de 2015. B) Rostro ou serra do peixe. Para saber mais notícias sobre o ocorrido e seu desfeixo legal, clique aqui e aqui

O que podemos fazer para salvar essa espécie da extinção no Brasil? Primeiramente criar áreas de exclusão da pesca com rede em áreas costeiras (especialmente estuários e manguezais), acabar com a pesca ilegal, sensibilizar os pescadores quando as urgentes necessidades de conservação da espécie e prover alternativas de renda para as famílias em risco social e que retiram parte de seu sustento da pesca e venda ilegal da espécie. E isso tudo tem que ser para ontem, pois extinção é para sempre!! Você tem outras sugestões? Compartilhe conosco!

Referências:

Palmeira CAM, Rodrigues-Filho LFS, Sales JBL, Vallinoto M, Schneider H, Sampaio I (2013) Commercialization of a critically endangered species (largetooth sawfish, Pristis perotteti) in fish markets of northern Brazil: Authenticity by DNA analysis. Food Control 34: 249-252. LINK

Giglio VJ, Luiz OJ, Gerhardinger LC (2015) Depletion of marine megafauna and shifting baselines among artisanal fishers in eastern Brazil. Animal Conservation 18: 348-358. PDF

Giglio VJ, Luiz OJ, Gerhardinger LC (2016) Memories of sawfish fisheries in a southwestern Atlantic estuary. SPC Traditional Marine Resource Management and Knowledge Information Bulletin 36:  28-32. PDF

Reis-Filho JA, Freitas RHA, Loiola M, Leite L, Soeiro G, Oliveira HHQ, Sampaio CLS, Nunes JACC, Leduc AOHC (2016) Traditional fisher perceptions on the regional disappearance of the largetooth sawfish Pristis pristis from the central coast of Brazil. Endangered Species Research 29: 189-200. PDF

Saiu o documentário da Rede Abrolhos

Vídeo

Acaba de ser disponibilizado um documentário muito interessante, sobre as atividades da Rede Abrolhos. A Rede tem como objetivo integrar iniciativas inter-institucionais de pesquisa, capacitação, formação de recursos humanos e gestão ambiental produzindo e transmitindo conhecimento sobre o maior recife coralíneo do Atlântico Sul, o Banco do Abrolhos.

Não deixem de assistir!

 

Nós perdemos 10% das áreas selvagens do mundo nas últimas duas décadas

Uma área selvagem é ocupada por paisagens pristinas, livre de disturbâncias humanas como agricultura de larga escala, rodovias ou indústrias. Essas áreas são importantes por proverem redutos de hábitats para espécies ameaçadas, armazenar e sequestrar carbono, tamponar e regular o clima local, além de suportar muitas das comunidades mais politicamente e economicamente marginalizadas do mundo. Porém, as áreas selvagens recebem pouca atenção de gestores porque são consideradas livres de ameaças e, portanto não são prioridade nos esforços para a conservação.

Pesquisadores mediram mudanças temporais nas áreas selvagens globais comparando mapas dessas áreas a partir da década de 1990. Os resultados mostraram perdas alarmantes de um décimo (3.3 milhões de Km2) das áreas selvagens no mundo, especialmente na Amazônia (30%) e África Central (14%). Essa catastrófica taxa de perda representa o dobro de ganho de proteção das áreas selvagens nesse mesmo período.

 

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Perda global das áreas selvagens nas duas últimas décadas. Modificado de Watson et al (2016)

 

Para reduzir as taxas de destruição, os autores destacam a necessidade imediata de políticas internacionais para reconhecer os valores vitais das áreas selvagens e as ameaças sem precedentes que enfrentam, por meio de ações de conservação multifacetadas e em larga escala. Por exemplo, a criação de áreas protegidas grandes e multi-jurisdicionais, mega-corredores de conservação e estabelecimento de reservas de conservação comunitária para comunidades indígenas.

Referência: Watson JEM, Shanahan DF, Di Marco M, Sanderson EW, Mackey B, Venter O. 2016. Catastrophic Declines in Wilderness Areas Undermine Global Environment Targets. Current Biology 26: 1-6.

Crescendo mais rápido fora de casa: a incrível adaptação do invasor peixe-leão ao oceano Atlântico

Nativo do oceano Pacífico, o peixe-leão foi reportado no Atlântico pela primeira vez em meados da década de 1980. Desde então, esse invasor sofreu uma explosão populacional sem precedentes, aumentando sua área de ocorrência rapidamente ao longo do Atlântico tropical e subtropical, Caribe e Golfo do México.

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Área de invasão do peixe-leão no oceano Atlântico. Os círculos vermelhos representam os locais onde a espécie já foi encontrada.

Na área invadida, o peixe-leão provou ser um eficiente predador, consumindo uma grande variedade de invertebrados e principalmente peixes, podendo causar exoressivas reduções na abundância de pequenos peixes recifais. Esse fato é extremamente preocupante para a conservação marinha, tanto que a invasão do peixe-leão figura entre os principais “alertas vermelhos” da conservação no mundo. Comparações entre aspectos da biologia do peixe-leão nativo (Pacífico) e invasor (Atlântico) mostraram que quando invasora a espécie ocorre em maiores densidades (400 indivíduos por hectare vs. 26.3 indivíduos por hectare), alcança maior tamanho máximo (47.6 cm vs. 38 cm), além de consumir maiores e mais diversas presas do que indivíduos com tamanhos similares no seu habitat nativo.

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Altas densidades de peixe-leão encontradas na Flórida. Fonte: National Geographic

Para verificar diferenças nos padrões de crescimento entre as populações nativas e invasoras do peixe-leão, pesquisadores compararam as taxas de crescimento da espécie em dois sistemas insulares no Pacifico e dois no Atlântico. Indivíduos foram marcados e soltos para posterior captura. Os resultados mostraram que o peixe-leão invasor tem maiores taxas de crescimento para todos os tamanhos verificados. No geral, o peixe leão invasor cresceu entre 1.25 a 2.25 vezes mais rápido que o nativo.

Esses resultados evidenciam que além de crescer mais rápido, o peixe-leão consome mais presas, tem maior sobrevivência e potencial reprodutivo na área invadida. Isso ocorre porque a espécie tem muito poucos (ou não tem) inimigos naturais no oceano Atlântico, como predadores, parasitas, competidores e outros controladores bióticos, tornando-o um desigual competidor por recursos. No Brasil, já foram encontrados dois indivíduos. Entretanto ainda não é possível confirmar se a dispersão foi natural.

Pesquisadores seguem em busca de estratégias para controlar as crescentes populações do peixe-leão no Atlântico. Torcemos para que ele não dê as caras na costa brasileira.

Referência: Pusack TJ, Benkwitt CE, Cure K, Kindinger TL (2016) Invasive Red Lionfish (Pterois volitans) grow faster in the Atlantic Ocean than in their native Pacific range. Environmental Biology of Fishes. DOI 10.1007/s10641-016-0499-4 (as referências adicionais sobre densidade, crescimento e alimentação encontram-se nesse artigo)

 

Biodiversidade é maior dentro do que fora de áreas protegidas terrestres

Áreas protegidas são consideradas essenciais para a conservação da biodiversidade. Entretanto ainda existem dúvidas sobre sua efetividade. Muitos países, incluindo o Brasil, ainda não conseguiram fazer com que as áreas protegidas cumpram seu papel em conservar a biodiversidade efetivamente.

Com essa questão em mente, grupo de pesquisadores liderados por Claudia Gray, da Universidade de Sussex, no Reino Unido, comparam dados de abundância e riqueza de 13.669 espécies de vertebrados, invertebrados e plantas dentro e fora de 359 áreas protegidas em 48 países. Os autores constataram que áreas protegidas contem 10.6% mais abundância (número de indivíduos) e 14.5% mais riqueza (número de espécies) de que áreas não protegidas. A maior diferença ocorreu entre os tipos de uso da terra: áreas protegidas são mais efetivas onde o uso humano da terra é minimizado, especialmente onde a vegetação primária ou secundária está conservada.  Foi constatado também que a proteção atual não beneficia consistentemente espécies com distribuição restrita e não aumenta a variedade de nichos ecológicos.

Esses resultados reforçam a importância das áreas protegidas, e a necessidade de se manter áreas sem interferência humana.

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Biodiversidade da Floresta Amazônica. Créditos: Billtacular

 

Referência: Gray CL, Hill SLL, Newbold T, Hudson LN, Borger L, Contu S, Hoskins AJ, Ferrier S, Purvis A, Scharlemann PW. 2016. Local biodiversity is higher inside than outside terrestrial protected areas worldwide. Nature Communications 7: 12306

 

 

O tubarão-martelo amarelo e sua quase extinção na costa brasileira

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Raro registro de um tubarão-martelo amarelo vivo.Retirado de: https://sta.uwi.edu/fst/lifesciences/documents/Sphyrna_tudes.pdf

Conhecido popularmente como tubarão-martelo amarelo ou panã-amarela, Sphyrna tudes é um tubarão que vive na região costeira, em estuários e manguezais. É um dos menores tubarões-martelo, pesando até 11 kg. A espécie era encontrada em toda a costa brasileira, mas atualmente está desaparecida e tem pouquíssimos registros por ano no norte e nordeste. Esse sumiço levou os pesquisadores a classificarem-no como criticamente ameaçado na lista oficial de espécies ameaçadas (atualmente suspensa). Mas afinal, o que levou esse belo tubarãozinho a quase desaparecer da nossa costa?

Para responder essa pergunta, pesquisadores usaram um importante, e cada vez mais usado, método para se conseguir informações sobre espécies carentes de dados biológicos da pesquisa convencional: o conhecimento empírico dos pescadores. Afinal, alguém conhece mais de peixe do que os próprios pescadores? No Banco dos Abrolhos, pescadores foram entrevistados e informaram sobre as capturas, história de vida e possíveis causas do sumiço dessa espécie.

O tamanho dos tubarões capturados está reduzindo ao longo das gerações de pescadores. Isso é uma forte evidencia de sobrepesca, porque quando retiramos mais indivíduos do que o ambiente pode produzir, a quantidade e tamanho das capturas vão reduzindo até a pesca colapsar. Todos os entrevistados concordaram que a espécie está sofrendo declínio populacional na região, inclusive que não ocorreram nos últimos cinco anos. A causa mencionada para esse sumiço da espécie foi o excesso de pesca, especialmente a pesca com rede de espera e arrasto.

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Pescadores mais jovens tem capturado indivíduos cada vez menores. O referencial de tamanho máximo está reduzindo ao longo das gerações. Adaptado de: http://st.sustainability.k.u-tokyo.ac.jp/2015/06/17/the-shifting-baseline-syndrome/

Como impedir a extinção dessa espécie? A dica foi dada pelos pescadores! Redução na pressão da pesca com rede de espera e arrasto. Para isso, é necessário gerenciar melhor a pesca e criar áreas de proteção integral ao longo da costa.

Referência:

Giglio JV, Bornatowski. 2016. Fishers’ ecological knowledge of smalleye hammerhead, Sphyrna tudes , in a tropical estuary. Neotropical Ichthyology 14(2): e150103

Palavras-chave:

Sobrepesca: retirada (pesca) de organismos do ambiente acima da capacidade máxima sustentável, acarretando em declínios populacionais e inviabilidade da atividade a longo prazo.

Escrito por: Vinicius Giglio

Estudo constata que ter vista para o mar está ligada a uma melhor saúde mental

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Um estudo publicado recentemente na revista Health & Place, é o primeiro a encontrar uma relação entre níveis baixos de stress e o ato de observar o mar, referida pelos pesquisadores de  espaço azul.
Utilizando dados de topografia, a geógrafa Amber Pearson estudou a visibilidade dos espaços azuis e verdes a partir de locais residenciais em Wellington, Nova Zelândia, uma capital urbana cercada pelo Mar da Tasmânia ao norte e o  Oceano Pacífico ao sul. O espaço verde inclui florestas e parques verdejantes.

“O aumento do tempo de avistamento do espaço azul é significativamente associado com níveis mais baixos de estresse psicológico”, relata Pearson. No entanto, não encontramos o mesmo com o espaço verde.”

“Esse resultado pode ter ocorrido devido ao espaço azul ser natural, enquanto o espaço verde incluiu áreas criadas pelo homem, tais como campos e campos desportivos, bem como áreas naturais, como florestas nativas”, disse Pearson.”Talvez se olhássemos só para florestas nativas, poderíamos encontrar resultados diferentes”.

Mesmo depois de levar em consideração fatores como: riqueza, idade, sexo e moradores de bairros vizinhos, o estudo conclui que ter uma vista para o mar foi associada com a melhoria da saúde mental. Isso pode estar relacionado não só com o avistamento do oceano, mas também a outros estímulos sensoriais, como o som das ondas e o cheiro do ar que vem do oceano.

Levando em consideração que angústia, ansiedade e outros tipos de transtornos mentais é cada vez mais recorrente na população mundial, é comprovadamente necessário termos maior contato com a natureza.

Esta ai mais um excelente motivo para você frequentar cada vez mais nossas praias e ajudar a conservar os oceanos.

Referência: Nutsford D, Pearson AL, Kingham S, Reitsma F. (2016). Residential exposure to visible blue space (but not green space) associated with lower psychological distress in a capital city. Health & Place 39, 70-78.

Glossário:

Espaços verdes: podem variar ligeiramente entre os usuários, este termo tende a incluir áreas abertas de vegetação (por exemplo, parques, campos desportivos) e áreas de conservação (por exemplo, florestas), mas também pode incluir quintal jardins, fazendas ou qualquer outro espaço predominantemente cobertas de vegetação.

Espaço azul: inclui corpos de água (por exemplo, lagos,oceanos, rios, etc.), mas raramente inclui locais feito por humanos (por exemplo, fontes de água ou esculturas).

Postado por: Jemilli Viaggi

Apenas 7% da Grande Barreira de Corais da Austrália não foi afetada pelo branqueamento

Cientistas da força tarefa sobre o branqueamento de corais na Austrália reveleram recentemente a extensão do branqueamento de corais na Grande Barreira.

Os resultados finais de extensas amostragens aéreas e subaquáticas revelaram que 93% dos recifes foram afetados. Foi verificada uma mistura de danos severos, moderados e pequenos que mudam dramaticamente do norte para o sul ao longo dos 2300 km de recifes (ver mapa abaixo).

“Essa tem sido a expedição de pesquisa mais triste da minha vida”, relata o professor Terry Hughes, da James Cook University. “Nunca vi nada parecido com esta escala de branqueamento antes. No norte da Grande Barreira de Corais, é como se 10 ciclones ocorressem de uma só vez”, afirma Hughes, líder do grupo de trabalho sobre branqueamento de corais, que está documentando o evento. “Na região sul, a maioria dos recifes apresentou branqueamento de menor a moderado e deve se recuperar em breve.”

Mapa da grande barreira de corais mostrando os resultados das amostragens em 911 recifes. Adaptado de ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies / Tom Bridge e James Kerry

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Mapa da Grande Barreira de Corais mostrando os resultados das amostragens em 911 recifes. Adaptado de ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies / Tom Bridge e James Kerry

 

A indústria do turismo australiana tem um compromisso de longa data em proteger seu mais valioso recurso natural, a Grande Barreira de Corais. O turismo nesses recifes gera gera uma renda anual de US$ 5 bilhões, e emprega cerca de 70.000 pessoas. As mudanças climáticas são a maior ameaça para os recifes e as pessoas que dependem dele para sua subsistência.

“Felizmente, muitas partes do recife ainda estão saudáveis, mas não podemos simplesmente ignorar o branqueamento do coral e criar a falsa esperança de uma rápida recuperação. Temos que desenvolver políticas de curto prazo para mitigar os danos ambientais a longo prazo, incluindo os impactos sobre o recife “, diz Daniel Gschwind, presidente-executivo do Conselho da Indústria de turismo de Queensland.

 

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Branqueamento de corais na Grande Barreira da Austrália, em Lizard Island. Créditos, foto da esquerda: Dorothea Bender; direita: Mia Hoogenboom. ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies.