Caso mais antigo de câncer é encontrado em ancestral humano de 1.7 milhões de anos

 

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Osso do pé (metatarso) de um hominídeo usado na pesquisa, mostrando a extensão do câncer para a superfície do osso. Crédito: Patrick Randolph-Quinney.

Uma equipe de pesquisadores internacionais descobriu a evidência mais antiga de câncer e tumores ósseos descritos para um fóssil humano, encontrado na caverna Swartkrans, na África do Sul. O diagnóstico foi possível através de avanços nos métodos de análises de imagens 3D. A descoberta muda a data mais antiga para essa doença aos tempos recentes na pré-história. Apesar da espécie exata no qual o osso do pé analisado pertence seja desconhecida, está claro que é um hominídeo, ou bípede evolutivamente próximo aos humanos.

O autor líder da pesquisa, Edward Odes, afirma que: “A medicina moderna tende a assumir que câncer e tumores em humanos são doenças causadas pelo estilo de vida e ambiente moderno. Entretanto, nosso estudo mostrou que as origens dessas doenças ocorreram em ancestrais de milhões de anos antes da sociedade moderna existir”.

O câncer encontrado em um osso do pé (metatarso) foi identificado como um osteosarcoma, uma forma agressiva de câncer que geralmente afeta indivíduos jovens em seres humanos modernos. Se não tratado, o osteosarcoma normalmente resulta em óbito precoce. No ancestral não foi possível identificar se o osso do pé trata-se de um jovem ou adulto, nem se o câncer foi responsável pela morte do indivíduo, porém ele certamente afetou as habilidades de caminhar ou correr.

 

Referência: Odes EJ, Randolph-Quinney PS, Steyn M, Throckmorton Z, Smilg JS, Zipfel B, et al. Earliest hominin cancer: 1.7-million-yearold osteosarcoma from Swartkrans Cave, South Africa. S Afr J Sci. 2016;112(7/8),

 

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Biodiversidade é maior dentro do que fora de áreas protegidas terrestres

Áreas protegidas são consideradas essenciais para a conservação da biodiversidade. Entretanto ainda existem dúvidas sobre sua efetividade. Muitos países, incluindo o Brasil, ainda não conseguiram fazer com que as áreas protegidas cumpram seu papel em conservar a biodiversidade efetivamente.

Com essa questão em mente, grupo de pesquisadores liderados por Claudia Gray, da Universidade de Sussex, no Reino Unido, comparam dados de abundância e riqueza de 13.669 espécies de vertebrados, invertebrados e plantas dentro e fora de 359 áreas protegidas em 48 países. Os autores constataram que áreas protegidas contem 10.6% mais abundância (número de indivíduos) e 14.5% mais riqueza (número de espécies) de que áreas não protegidas. A maior diferença ocorreu entre os tipos de uso da terra: áreas protegidas são mais efetivas onde o uso humano da terra é minimizado, especialmente onde a vegetação primária ou secundária está conservada.  Foi constatado também que a proteção atual não beneficia consistentemente espécies com distribuição restrita e não aumenta a variedade de nichos ecológicos.

Esses resultados reforçam a importância das áreas protegidas, e a necessidade de se manter áreas sem interferência humana.

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Biodiversidade da Floresta Amazônica. Créditos: Billtacular

 

Referência: Gray CL, Hill SLL, Newbold T, Hudson LN, Borger L, Contu S, Hoskins AJ, Ferrier S, Purvis A, Scharlemann PW. 2016. Local biodiversity is higher inside than outside terrestrial protected areas worldwide. Nature Communications 7: 12306