Tubarões que seguem o líder

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Tubarão cinzento dos recifes. Crédito: http://www.vincent-truchet.com

Pesquisadores verificaram a primeira evidência de processos sociais de longo prazo entre tubarões. O estudo foi realizado com o tubarão cinzento dos recifes (Carcharhinus amblyrhynchos), no atol de Palmyra, no oceano Pacífico. A movimentação dos tubarões foi rastreada por seis meses, com o uso do método da telemetria. Foi verificado que alguns indivíduos emergiam como líderes da população e que essa postura de coordenação comportamental é predita pelo sexo e duração das co-ocorrências entre os congêneres. Interessantemente, os líderes tendiam a ser fêmeas, abrindo discussão para questões sobre a importância das interações entre os sexos na estruturação da dinâmica populacional dos tubarões.

Segundo o líder do estudo, David Jacoby: “os tubarões não se moviam aleatoriamente, ou com nada em mente além de comida. Haviam dinâmicas sociais em jogo: padrões de associação, de tubarões passando mais tempo com alguns indivíduos do que outros, de indivíduos com posições periféricas ou centrais em relação ao grupo”.

Referência:

Jacoby DMP, Papastamatiou YP, Freeman R (2016) Inferring animal social networks and leadership: applications for passive monitoring arrays. Journal of the Royal Society Interface 13: 20160676 PDF

Saiu o documentário da Rede Abrolhos

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Acaba de ser disponibilizado um documentário muito interessante, sobre as atividades da Rede Abrolhos. A Rede tem como objetivo integrar iniciativas inter-institucionais de pesquisa, capacitação, formação de recursos humanos e gestão ambiental produzindo e transmitindo conhecimento sobre o maior recife coralíneo do Atlântico Sul, o Banco do Abrolhos.

Não deixem de assistir!

 

Crescendo mais rápido fora de casa: a incrível adaptação do invasor peixe-leão ao oceano Atlântico

Nativo do oceano Pacífico, o peixe-leão foi reportado no Atlântico pela primeira vez em meados da década de 1980. Desde então, esse invasor sofreu uma explosão populacional sem precedentes, aumentando sua área de ocorrência rapidamente ao longo do Atlântico tropical e subtropical, Caribe e Golfo do México.

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Área de invasão do peixe-leão no oceano Atlântico. Os círculos vermelhos representam os locais onde a espécie já foi encontrada.

Na área invadida, o peixe-leão provou ser um eficiente predador, consumindo uma grande variedade de invertebrados e principalmente peixes, podendo causar exoressivas reduções na abundância de pequenos peixes recifais. Esse fato é extremamente preocupante para a conservação marinha, tanto que a invasão do peixe-leão figura entre os principais “alertas vermelhos” da conservação no mundo. Comparações entre aspectos da biologia do peixe-leão nativo (Pacífico) e invasor (Atlântico) mostraram que quando invasora a espécie ocorre em maiores densidades (400 indivíduos por hectare vs. 26.3 indivíduos por hectare), alcança maior tamanho máximo (47.6 cm vs. 38 cm), além de consumir maiores e mais diversas presas do que indivíduos com tamanhos similares no seu habitat nativo.

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Altas densidades de peixe-leão encontradas na Flórida. Fonte: National Geographic

Para verificar diferenças nos padrões de crescimento entre as populações nativas e invasoras do peixe-leão, pesquisadores compararam as taxas de crescimento da espécie em dois sistemas insulares no Pacifico e dois no Atlântico. Indivíduos foram marcados e soltos para posterior captura. Os resultados mostraram que o peixe-leão invasor tem maiores taxas de crescimento para todos os tamanhos verificados. No geral, o peixe leão invasor cresceu entre 1.25 a 2.25 vezes mais rápido que o nativo.

Esses resultados evidenciam que além de crescer mais rápido, o peixe-leão consome mais presas, tem maior sobrevivência e potencial reprodutivo na área invadida. Isso ocorre porque a espécie tem muito poucos (ou não tem) inimigos naturais no oceano Atlântico, como predadores, parasitas, competidores e outros controladores bióticos, tornando-o um desigual competidor por recursos. No Brasil, já foram encontrados dois indivíduos. Entretanto ainda não é possível confirmar se a dispersão foi natural.

Pesquisadores seguem em busca de estratégias para controlar as crescentes populações do peixe-leão no Atlântico. Torcemos para que ele não dê as caras na costa brasileira.

Referência: Pusack TJ, Benkwitt CE, Cure K, Kindinger TL (2016) Invasive Red Lionfish (Pterois volitans) grow faster in the Atlantic Ocean than in their native Pacific range. Environmental Biology of Fishes. DOI 10.1007/s10641-016-0499-4 (as referências adicionais sobre densidade, crescimento e alimentação encontram-se nesse artigo)

 

O tubarão-martelo amarelo e sua quase extinção na costa brasileira

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Raro registro de um tubarão-martelo amarelo vivo.Retirado de: https://sta.uwi.edu/fst/lifesciences/documents/Sphyrna_tudes.pdf

Conhecido popularmente como tubarão-martelo amarelo ou panã-amarela, Sphyrna tudes é um tubarão que vive na região costeira, em estuários e manguezais. É um dos menores tubarões-martelo, pesando até 11 kg. A espécie era encontrada em toda a costa brasileira, mas atualmente está desaparecida e tem pouquíssimos registros por ano no norte e nordeste. Esse sumiço levou os pesquisadores a classificarem-no como criticamente ameaçado na lista oficial de espécies ameaçadas (atualmente suspensa). Mas afinal, o que levou esse belo tubarãozinho a quase desaparecer da nossa costa?

Para responder essa pergunta, pesquisadores usaram um importante, e cada vez mais usado, método para se conseguir informações sobre espécies carentes de dados biológicos da pesquisa convencional: o conhecimento empírico dos pescadores. Afinal, alguém conhece mais de peixe do que os próprios pescadores? No Banco dos Abrolhos, pescadores foram entrevistados e informaram sobre as capturas, história de vida e possíveis causas do sumiço dessa espécie.

O tamanho dos tubarões capturados está reduzindo ao longo das gerações de pescadores. Isso é uma forte evidencia de sobrepesca, porque quando retiramos mais indivíduos do que o ambiente pode produzir, a quantidade e tamanho das capturas vão reduzindo até a pesca colapsar. Todos os entrevistados concordaram que a espécie está sofrendo declínio populacional na região, inclusive que não ocorreram nos últimos cinco anos. A causa mencionada para esse sumiço da espécie foi o excesso de pesca, especialmente a pesca com rede de espera e arrasto.

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Pescadores mais jovens tem capturado indivíduos cada vez menores. O referencial de tamanho máximo está reduzindo ao longo das gerações. Adaptado de: http://st.sustainability.k.u-tokyo.ac.jp/2015/06/17/the-shifting-baseline-syndrome/

Como impedir a extinção dessa espécie? A dica foi dada pelos pescadores! Redução na pressão da pesca com rede de espera e arrasto. Para isso, é necessário gerenciar melhor a pesca e criar áreas de proteção integral ao longo da costa.

Referência:

Giglio JV, Bornatowski. 2016. Fishers’ ecological knowledge of smalleye hammerhead, Sphyrna tudes , in a tropical estuary. Neotropical Ichthyology 14(2): e150103

Palavras-chave:

Sobrepesca: retirada (pesca) de organismos do ambiente acima da capacidade máxima sustentável, acarretando em declínios populacionais e inviabilidade da atividade a longo prazo.

Escrito por: Vinicius Giglio

Estudo constata que ter vista para o mar está ligada a uma melhor saúde mental

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Um estudo publicado recentemente na revista Health & Place, é o primeiro a encontrar uma relação entre níveis baixos de stress e o ato de observar o mar, referida pelos pesquisadores de  espaço azul.
Utilizando dados de topografia, a geógrafa Amber Pearson estudou a visibilidade dos espaços azuis e verdes a partir de locais residenciais em Wellington, Nova Zelândia, uma capital urbana cercada pelo Mar da Tasmânia ao norte e o  Oceano Pacífico ao sul. O espaço verde inclui florestas e parques verdejantes.

“O aumento do tempo de avistamento do espaço azul é significativamente associado com níveis mais baixos de estresse psicológico”, relata Pearson. No entanto, não encontramos o mesmo com o espaço verde.”

“Esse resultado pode ter ocorrido devido ao espaço azul ser natural, enquanto o espaço verde incluiu áreas criadas pelo homem, tais como campos e campos desportivos, bem como áreas naturais, como florestas nativas”, disse Pearson.”Talvez se olhássemos só para florestas nativas, poderíamos encontrar resultados diferentes”.

Mesmo depois de levar em consideração fatores como: riqueza, idade, sexo e moradores de bairros vizinhos, o estudo conclui que ter uma vista para o mar foi associada com a melhoria da saúde mental. Isso pode estar relacionado não só com o avistamento do oceano, mas também a outros estímulos sensoriais, como o som das ondas e o cheiro do ar que vem do oceano.

Levando em consideração que angústia, ansiedade e outros tipos de transtornos mentais é cada vez mais recorrente na população mundial, é comprovadamente necessário termos maior contato com a natureza.

Esta ai mais um excelente motivo para você frequentar cada vez mais nossas praias e ajudar a conservar os oceanos.

Referência: Nutsford D, Pearson AL, Kingham S, Reitsma F. (2016). Residential exposure to visible blue space (but not green space) associated with lower psychological distress in a capital city. Health & Place 39, 70-78.

Glossário:

Espaços verdes: podem variar ligeiramente entre os usuários, este termo tende a incluir áreas abertas de vegetação (por exemplo, parques, campos desportivos) e áreas de conservação (por exemplo, florestas), mas também pode incluir quintal jardins, fazendas ou qualquer outro espaço predominantemente cobertas de vegetação.

Espaço azul: inclui corpos de água (por exemplo, lagos,oceanos, rios, etc.), mas raramente inclui locais feito por humanos (por exemplo, fontes de água ou esculturas).

Postado por: Jemilli Viaggi

Apenas 7% da Grande Barreira de Corais da Austrália não foi afetada pelo branqueamento

Cientistas da força tarefa sobre o branqueamento de corais na Austrália reveleram recentemente a extensão do branqueamento de corais na Grande Barreira.

Os resultados finais de extensas amostragens aéreas e subaquáticas revelaram que 93% dos recifes foram afetados. Foi verificada uma mistura de danos severos, moderados e pequenos que mudam dramaticamente do norte para o sul ao longo dos 2300 km de recifes (ver mapa abaixo).

“Essa tem sido a expedição de pesquisa mais triste da minha vida”, relata o professor Terry Hughes, da James Cook University. “Nunca vi nada parecido com esta escala de branqueamento antes. No norte da Grande Barreira de Corais, é como se 10 ciclones ocorressem de uma só vez”, afirma Hughes, líder do grupo de trabalho sobre branqueamento de corais, que está documentando o evento. “Na região sul, a maioria dos recifes apresentou branqueamento de menor a moderado e deve se recuperar em breve.”

Mapa da grande barreira de corais mostrando os resultados das amostragens em 911 recifes. Adaptado de ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies / Tom Bridge e James Kerry

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Mapa da Grande Barreira de Corais mostrando os resultados das amostragens em 911 recifes. Adaptado de ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies / Tom Bridge e James Kerry

 

A indústria do turismo australiana tem um compromisso de longa data em proteger seu mais valioso recurso natural, a Grande Barreira de Corais. O turismo nesses recifes gera gera uma renda anual de US$ 5 bilhões, e emprega cerca de 70.000 pessoas. As mudanças climáticas são a maior ameaça para os recifes e as pessoas que dependem dele para sua subsistência.

“Felizmente, muitas partes do recife ainda estão saudáveis, mas não podemos simplesmente ignorar o branqueamento do coral e criar a falsa esperança de uma rápida recuperação. Temos que desenvolver políticas de curto prazo para mitigar os danos ambientais a longo prazo, incluindo os impactos sobre o recife “, diz Daniel Gschwind, presidente-executivo do Conselho da Indústria de turismo de Queensland.

 

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Branqueamento de corais na Grande Barreira da Austrália, em Lizard Island. Créditos, foto da esquerda: Dorothea Bender; direita: Mia Hoogenboom. ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies. 

 

 

O dramático branqueamento de corais na Grande Barreira da Austrália

A grande barreira de corais da Austrália está passando pelo evento de branqueamento de corais mais severo de sua história. Preocupantes taxas de até 95% de mortalidade estão sendo observadas na porção norte da grande barreira. Uma alta mortalidade de corais representa um amplo impacto ecológico: as espécies que se alimentam deles perdem sua fonte de alimento, peixes que buscam refúgio nos corais contra predadores tornam-se mais susceptíveis à predação.

A saúde da grande barreira, que abriga 400 espécies de corais, 1.500 espécies de peixes e 4 mil de moluscos, começou a se deteriorar na década de 1990 pelo duplo impacto do aquecimento da água do mar, pelo aumento de sua acidez devido a maior presença de dióxido de carbono na atmosfera.

 

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Cronologia do atual evento de branqueamento de corais na grande barreira da Australia. Adaptado de http://www.nature.com/news/coral-crisis-great-barrier-reef-bleaching-is-the-worst-we-ve-ever-seen-1.19747

 

Mas afinal, o que é branqueamento de coral? Muitas espécies de coral tem uma relação simbiótica especial com uma pequena alga denominada zooxantela, que vivem dentro do tecido do coral. As zooxantelas são produtoras de alimento muito eficientes, fornecendo até 90% da energia que os corais necessitam para crescer e se reproduzir.  O branqueamento ocorre quando a relação entre o anfitrião, o coral, e as zooxantelas, que são responsáveis pela sua coloração, é interrompida. Sem as zooxantelas, os corais começam a passar fome e morrer, seu tecido fica com aparência transparente e o esqueleto se torna esbranquiçado.

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Em um evento de branqueamento a simbiose entre o coral e as zooxantelas é interrompida, o coral começa a morrer e ficar esbranquiçado. O coral branqueado é coberto por algas. Adaptado de http://www.gbrmpa.gov.au/managing-the-reef/threats-to-the-reef/climate-change/what-does-this-mean-for-species/corals/whats-is-coral-bleaching

 

Quais as causas do branqueamento do coral? A principal causa do branqueamento é o estresse resultante de altas temperaturas do mar. Aumentos de temperatura de apenas um grau celsius por quatro semanas pode desencadear eventos de branqueamento. Se essas temperaturas persistirem por períodos prolongados (oito semanas ou mais) os corais começam a morrer. Outros fatores que também podem causar branqueamento de corais são a redução na salinidade, devido a grandes incrementos de água doce e excesso de sedimentos na coluna d’agua e poluentes de origem terrestre.

 

Pesquisa avalia uma nova ferramenta educativa como mitigadora dos impactos do mergulho recreativo

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Uma pesquisa de doutorado desenvolvida pelo Laboratório de Ecologia e Conservação de Ambientes Recifais está testando pela primeira vez o uso de um vídeo briefing como uma ferramenta educativa mitigadora dos impactos do mergulho recreativo em ambientes recifais. O experimento está sendo realizado na Reserva Extrativista Marinha de Arraial do Cabo/RJ, um dos principais pontos de mergulho do Brasil. O vídeo descreve as características da região e passa dicas para uma boa postura durante o mergulho. A influência dessas dicas no comportamento dos mergulhadores está sendo avaliada pelos pesquisadores. Assista o vídeo:

 

 

Glossário: 

Briefing: palestra realizada previamente ao mergulho, no qual os profissionais passam informações sobre o planejamento do mergulho e características do local. Um bom briefing deve conter informações e dicas sobre boas condutas dos mergulhadores, afim de reduzir os possíveis impactos no ambiente marinho.

Reserva Extrativista: Unidade de conservação de uso sustentável, que tem o objetivo de manter o meio de vida de populações tradicionais cuja existência se baseia no extrativismo, bem como assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da área. Para saber mais, clique aqui.

 

Deixe as conchas na praia! Coleta de conchas pode causar impactos ao ambiente marinho.

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Não é de hoje que sabemos que os impactos ambientais estão sendo intensificados devido a rápida expansão da atividade humana. Como exemplo, a remoção de conchas, uma atividade muito frequente e pouca estudada por se tratar de um hobby que muitos acham ser inofensivo, pode causar um grande impacto ambiental. A remoção de conchas da praia por turistas ou artesãos que trabalham com conchas como forma de arte e sobrevivência pode esta levando ao declínio desse material no mundo inteiro.

Um estudo realizado em uma pequena baía na costa do Mediterrâneo em um intervalo de trinta anos (1978-1981 e 2008-2010), demonstrou que a abundância de conchas marinhas reduziu significativamente com o aumento de turistas no local. Essa correlação aumentou quando os dados foram restringidos aos meses com maior chegada de turistas. Nessas três décadas a chegada de turistas aumentou em uma proporção de quase três vezes, a área permaneceu não afetada pelo desenvolvimento urbano e pela pesca comercial e nesse mesmo intervalo, as conchas de moluscos na costa diminuíram .

Em particular, a remoção de conchas por turistas representa um processo pouco estudado. Esses materiais esqueléticos deixados pra trás por organismos mortos executam muitos serviços ambientais e ecossistêmicos importantes. Em habitats costeiros, essas conchas desenvolvem múltiplas funções como: estabilização da praia, ninhos de aves, abrigo para algas, substrato para pradaria marinha, locais de colonização de organismos incrustantes ou proteção para ermitões e peixes. Como resultado desta remoção, foram detectados mudanças múltiplas nos habitats, como a redução na diversidade e abundância dos organismos que dependem da disponibilidade das conchas, aumento da erosão das praias e mudanças na reciclagem de carbonato de cálcio.

Dessa forma é melhor pensar duas vezes antes de levar conchas para casa. Observe e não leve pra casa! Não devemos alterar o ambiente e sim ajudar a manter o equilíbrio e preservar o colorido das praias que tanto admiramos. O declínio ou a preservação das conchas e beleza cênica das praias podem estar na suas mãos. Contribua com o meio ambiente e mantenha seu paraíso de férias preservado por muito mais tempo. Lugar de concha é na praia!

 

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Abundância de conchas das três espécies dominantes agrupadas por temporadas de turismo ao longo dos períodos de amostragem a) 1978 – 1981 e b) 2008 – 2010.

 

Referência : Kowalewski M, Domènech R, Martinell J (2014) Vanishing Clams on an Iberian Beach: Local Consequences and Global Implications of Accelerating Loss of Shells to Tourism. PLoS ONE 9(1): e83615. doi:10.1371/journal.pone.0083615

Palavras-chave:

Conchas: são carapaças protetoras de molsucos marinhos e animais de corpo mole, formadas quando o animal nasce.É constituída principalmente de carbonato de cálcio, extraído da água do oceano.

 

 

Uma dieta nada saudável! Corais podem ingerir microplásticos

Os corais entraram na crescente lista de organismos marinhos que estão ingerindo os plásticos que flutuam nos oceanos. Com a enorme quantidade 269 mil toneladas flutuantes, isso poderia ser uma boa notícia, mas isso provavelmente não é bom para eles.

Por meio de um experimento, pesquisadores australianos da Universidade James Cook e Universidade de Quensland inseriram uma quantidade precisa de microplásticos na água de um aquário que continha corais de uma espécie que vive na grande barreira australiana. Após duas noites, os corais haviam ingerido todas as partículas de microplástico com quase a mesma frequência que eles normalmente ingerem plâncton. As partículas foram encontradas dentro dos pólipos, envoltas por seu tecido digestivo.

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Coral Dipsastrea pallida. Crédito: Charlie Veron

Corais obtém energia por meio da simbiose com uma alga que vive em seus tecidos, mas eles também se alimentam de uma variedade de outros recursos, incluindo zooplancton, sedimento e outros organismos microscópicos. A ingestão de microplásticos pelos corais levanta preocupações de que eles podem impedir a capacidade dos corais para digerir o alimento normal, pois o plástico pode não ser digerido por eles.

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Microplástico na boca (a) e mesentério (b) do pólipo do coral e (c) fragmentos de plásticos encontrados nas águas dos recifes de coral da Austrália.

Microplástico na boca (a) e mesentério (b) do pólipo do coral e (c) fragmentos de plásticos encontrados nas águas dos recifes australianos.

Com a crescente quantidade de plásticos encontrados nos oceanos, esse novo achado é preocupante. Corais são os organismos chave dos recifes coralíneos, o ecossistema marinho mais biodiverso do planeta. Os recifes coralíneos provêm recursos para milhões de pessoas, especialmente por meio da pesca e turismo.

Referência: Hall N.M., Berry, K.L.E., Rintoul L., Hoogenboom M.O. 2015. Microplastic ingestion by scleractinian corals. Marine Biology 162: 725-732. (pdf)

Palavras-chave:

Corais: São animais marinhos do grupo dos cnidários, que inclui também as anêmonas, as águas-vivas ou medusas. São invertebrados capazes de formar por baixo do tecido um esqueleto calcário  ou córneo. Este esqueleto é responsável pela fixação do coral no fundo do mar e serve também como proteção. Veja mais em: http://coralvivo.org.br/recifes-e-corais/corais/#sthash.v5FLL0jh.dpuf

Microplástico: pequeno pedaço de plástico, de 5 milímetros ou menor e se originam da quebra do plástico descartado na natureza, como sacolas e garrafas.

Plâncton: Pequenos organismos (animal ou vegetal) que flutuam ou derivam no mar. Dependendo da espécie, o plâncton varia de tamanhos microscópicos ao tamanho de uma pulga. Apesar de o tamanho individual ser muito pequeno, eles formam colônias massivas, chegando a bilhões. O maior animal do mundo, a baleia azul, se alimenta de plâncton.

Pólipo: estrutura cilíndrica em forma de saco com uma cavidade interna que se abre apenas em uma extremidade: a boca. Rodeada por tentáculos, a boca age tanto na ingestão de alimentos, quanto na eliminação de resíduos. Os tentáculos são estruturas com grande quantidade de células chamadas cnidócitos, que contêm substância urticante e paralisante que serve para capturar presas e defender o pólipo. – See more at: http://coralvivo.org.br/recifes-e-corais/corais/#sthash.v5FLL0jh.dpuf