Conheça o mais novo peixe habitante da costa brasileira

Um estudo liderado pelo professor Claudio Sampaio da Universidade Federal de Alagoas acaba de revelar que a costa brasileira abriga mais uma espécie de peixe. E não se trata de um invasor perigoso e fruto da ação humana, como o peixe-leão. Ainda sem nome popular no Brasil, Lachnolaimus maximus é um peixe da família Labridae, um primo dos budiões. A espécie ocorre no oceano Atlântico, dos Estados Unidos a Guiana Francesa. No Brasil, somente alguns indivíduos viajantes haviam sido reportados até então. Porém, os autores compilaram 17 registros de ocorrência da espécie em seis estados da costa brasileira, entre 2000 e 2015. Existe inclusive um registro para o Estado do Paraná, na região Sul. Esse montante é uma concreta evidência de que L. maximus estabeleceu população na costa brasileira. Isso significa uma extensão de 3.000 km na área de ocorrência da espécie.

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Lachnolaimus maximus, o novo habitante dos mares brasileiros. 

Apesar da boa novidade, a espécie está listada atualmente como vulnerável a ameaça de extinção, devido à pesca excessiva e coleta para aquariofilia. Considerando que a população do Brasil ainda é pequena, os autores recomendam que a pesca e coleta da espécie sejam restringidas.

Fique ligado, pois esse belo peixe pode te fazer companhia no próximo mergulho!

Referência:

Sampaio CLS, Santander-Neto J, Costa TLA (2016) Hogfish Lachnolaimus maximus (Labridae) confirmed in the south-western Atlantic Ocean. Journal of Fish Biology, DOI:10.1111/jfb.13075 PS: o artigo não possui livre acesso, mas pode ser solicitado através do e-mail buiabahia@gmail.com

O tubarão-martelo amarelo e sua quase extinção na costa brasileira

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Raro registro de um tubarão-martelo amarelo vivo.Retirado de: https://sta.uwi.edu/fst/lifesciences/documents/Sphyrna_tudes.pdf

Conhecido popularmente como tubarão-martelo amarelo ou panã-amarela, Sphyrna tudes é um tubarão que vive na região costeira, em estuários e manguezais. É um dos menores tubarões-martelo, pesando até 11 kg. A espécie era encontrada em toda a costa brasileira, mas atualmente está desaparecida e tem pouquíssimos registros por ano no norte e nordeste. Esse sumiço levou os pesquisadores a classificarem-no como criticamente ameaçado na lista oficial de espécies ameaçadas (atualmente suspensa). Mas afinal, o que levou esse belo tubarãozinho a quase desaparecer da nossa costa?

Para responder essa pergunta, pesquisadores usaram um importante, e cada vez mais usado, método para se conseguir informações sobre espécies carentes de dados biológicos da pesquisa convencional: o conhecimento empírico dos pescadores. Afinal, alguém conhece mais de peixe do que os próprios pescadores? No Banco dos Abrolhos, pescadores foram entrevistados e informaram sobre as capturas, história de vida e possíveis causas do sumiço dessa espécie.

O tamanho dos tubarões capturados está reduzindo ao longo das gerações de pescadores. Isso é uma forte evidencia de sobrepesca, porque quando retiramos mais indivíduos do que o ambiente pode produzir, a quantidade e tamanho das capturas vão reduzindo até a pesca colapsar. Todos os entrevistados concordaram que a espécie está sofrendo declínio populacional na região, inclusive que não ocorreram nos últimos cinco anos. A causa mencionada para esse sumiço da espécie foi o excesso de pesca, especialmente a pesca com rede de espera e arrasto.

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Pescadores mais jovens tem capturado indivíduos cada vez menores. O referencial de tamanho máximo está reduzindo ao longo das gerações. Adaptado de: http://st.sustainability.k.u-tokyo.ac.jp/2015/06/17/the-shifting-baseline-syndrome/

Como impedir a extinção dessa espécie? A dica foi dada pelos pescadores! Redução na pressão da pesca com rede de espera e arrasto. Para isso, é necessário gerenciar melhor a pesca e criar áreas de proteção integral ao longo da costa.

Referência:

Giglio JV, Bornatowski. 2016. Fishers’ ecological knowledge of smalleye hammerhead, Sphyrna tudes , in a tropical estuary. Neotropical Ichthyology 14(2): e150103

Palavras-chave:

Sobrepesca: retirada (pesca) de organismos do ambiente acima da capacidade máxima sustentável, acarretando em declínios populacionais e inviabilidade da atividade a longo prazo.

Escrito por: Vinicius Giglio

Uso de um simples check list pré-mergulho pode reduzir em até 36% o número de incidentes

Incidentes são eventos não planejados e não desejados. No mergulho, eles são causados por erro humano, falha no equipamento ou fatores ambientais adversos e podem resultar em graves acidentes. Durante o curso de mergulho ou em outro momento, é bem provável que você já tenha ouvido de algum instrutor sobre a importância de se fazer um check list para não ter problemas durante a atividade, como o esquecimento ou mau funcionamento de algum equipamento.

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O uso do check lists é comum entre os mergulhadores técnicos. 

Por meio de um experimento, pesquisadores da DAN verificaram o efeito do uso de um check list pré-mergulho na ocorrência de incidentes entre mergulhadores. O estudo envolveu mergulhadores de três localidades: Carolina do Norte, nos Estados Unidos, Cozumel e Ilhas Cayman, no Caribe. Os pesquisadores desenvolveram um check list que orientou os mergulhadores a fazerem simples testes no equipamento e descrevia algumas dicas sobre o planejamento do mergulho e princípios básicos de segurança durante a atividade.

Um grupo de mergulhadores que desconhecia os objetivos da pesquisa recebeu o check list antes do mergulho, enquanto outro grupo não recebeu. Após a atividade, os mergulhadores reportaram o tipo e quantidade de incidentes ocorridos, classificados como menores (ex. máscara embaçada, tira da máscara ou nadadeira estourada, confusão nas duplas, torneira de ar fechada ou pouco aberta) ou maiores (ex. descida rápida, perda de contato com o dupla, enroscamento ou compartilhamento de ar com o dupla).

Entre os 1043 mergulhadores que participaram do experimento, um quarto reportou a ocorrência de incidentes maiores ou menores, variando de um a sete por pessoa. O grupo que recebeu o check list teve 26% menos incidentes maiores e 36% menos incidentes menores. Dada a efetividade dessa ferramenta, os autores sugerem que escolas, operadoras e outras instituições relacionadas ao mergulho promovam o uso do check list na comunidade do mergulho.

Peça para seu instrutor te fornecer um check list, use-o e desfrute do mergulho com mais segurança!

Referência:

Ranapurwala SI, Denoble PJ, Poole C, Kucera KL, Marshall SW, Wing S (2015) The effect of using a pre-dive checklist on the incidence of diving mishaps in recreational scuba diving: a cluster-randomized trial.

Glossário:

Check list: lista impressa usada antes de uma determinada atividade para conferência e releitura de equipamentos, regras, medidas de segurança, etc.

DAN (Divers Alert Network): uma organização internacional de pesquisa, sem fins lucrativos, dedicada à segurança e à saúde de mergulhadores recreativos.

Escrito por: Vinicius Giglio

 

Estudo constata que ter vista para o mar está ligada a uma melhor saúde mental

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Um estudo publicado recentemente na revista Health & Place, é o primeiro a encontrar uma relação entre níveis baixos de stress e o ato de observar o mar, referida pelos pesquisadores de  espaço azul.
Utilizando dados de topografia, a geógrafa Amber Pearson estudou a visibilidade dos espaços azuis e verdes a partir de locais residenciais em Wellington, Nova Zelândia, uma capital urbana cercada pelo Mar da Tasmânia ao norte e o  Oceano Pacífico ao sul. O espaço verde inclui florestas e parques verdejantes.

“O aumento do tempo de avistamento do espaço azul é significativamente associado com níveis mais baixos de estresse psicológico”, relata Pearson. No entanto, não encontramos o mesmo com o espaço verde.”

“Esse resultado pode ter ocorrido devido ao espaço azul ser natural, enquanto o espaço verde incluiu áreas criadas pelo homem, tais como campos e campos desportivos, bem como áreas naturais, como florestas nativas”, disse Pearson.”Talvez se olhássemos só para florestas nativas, poderíamos encontrar resultados diferentes”.

Mesmo depois de levar em consideração fatores como: riqueza, idade, sexo e moradores de bairros vizinhos, o estudo conclui que ter uma vista para o mar foi associada com a melhoria da saúde mental. Isso pode estar relacionado não só com o avistamento do oceano, mas também a outros estímulos sensoriais, como o som das ondas e o cheiro do ar que vem do oceano.

Levando em consideração que angústia, ansiedade e outros tipos de transtornos mentais é cada vez mais recorrente na população mundial, é comprovadamente necessário termos maior contato com a natureza.

Esta ai mais um excelente motivo para você frequentar cada vez mais nossas praias e ajudar a conservar os oceanos.

Referência: Nutsford D, Pearson AL, Kingham S, Reitsma F. (2016). Residential exposure to visible blue space (but not green space) associated with lower psychological distress in a capital city. Health & Place 39, 70-78.

Glossário:

Espaços verdes: podem variar ligeiramente entre os usuários, este termo tende a incluir áreas abertas de vegetação (por exemplo, parques, campos desportivos) e áreas de conservação (por exemplo, florestas), mas também pode incluir quintal jardins, fazendas ou qualquer outro espaço predominantemente cobertas de vegetação.

Espaço azul: inclui corpos de água (por exemplo, lagos,oceanos, rios, etc.), mas raramente inclui locais feito por humanos (por exemplo, fontes de água ou esculturas).

Postado por: Jemilli Viaggi

Nova espécie de raia de água doce é descrita na Amazônia

Uma nova espécie de raia da família Potamotrygonidae foi recentemente descrita para a bacia do Rio Negro, no Amazonas. Essa família é composta de raias de água doce que ocorrem em bacias hidrográficas da América do Sul. A nova espécie foi nomeada como Potamotrygon wallacei e é popularmente conhecida como “raia cururu”. É endêmica da bacia do Rio Negro e tem sido identificada erroneamente por pesquisadores e aquaristas como outras espécies. Seu padrão de coloração é único para o gênero, com uma superfície do disco dorsal marrom clara e formas negras de formato irregular. É uma raia de pequeno tamanho. Dos 71 exemplares examinados pelos pesquisadores, o tamanho tamanho máximo foi de 31 centímetros de comprimento de disco.

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Registros da nova espécie de raia amazônica, Potamotrygon wallacei. Créditos: A: aquabr.com.br/artigos/peixes/arraia-de-agua-doce; B e C: R. Hardwick

O nome da espécie “wallacei” é em homenagem a Alfred Russel Wallace (1823-1913), o primeiro naturalista a observar e ilustrar esta espécie durante suas viagens ao Rio Negro por volta de 1850.

P. wallacei ocorre em águas escuras com níveis baixos de pH e oxigênio dissolvido. Também habita afluentes de águas escuras da bacia do Rio Negro, conhecidos como “igarapés”, que possuem fundos de areia e cobertura de serapilheira abundantes, incluindo folhas e troncos de árvores caídas da floresta inundada, conhecidas como “igapó”.

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Locais onde foram coletados indivíduos da nova espécie de raia endêmica da Bacia do Rio Negro.

 

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Habitats típicos da nova espécie, Potamotrygon wallacei, na bacia do Rio Negro.

 

Referência: Carvalho MR, Rosa RS, Araújo MLG (2016) A new species of Neotropical freshwater stingray (Chondrichthyes: Potamotrygonidae) from the Rio Negro, Amazonas, Brazil: the smallest species of Potamotrygon. Zootaxa 4107(4): 566-586. Ps: o artigo tem acesso livre, mas para fazer o download é necessário fazer um cadastro no site do periódico.

Glossário:

Espécie endêmica: que ocorre somente em uma determinada área ou região geográfica. O endemismo é causado por quaisquer barreiras físicas, climáticas e biológicas que delimitem com eficácia a distribuição de uma espécie ou provoquem a sua separação do grupo original. Quando a separação ocorre por um longo período, o grupo isolado sofre uma seleção natural que desenvolve nele uma diferenciação de outros membros da espécie. Clique para saber mais

 

 

Apenas 7% da Grande Barreira de Corais da Austrália não foi afetada pelo branqueamento

Cientistas da força tarefa sobre o branqueamento de corais na Austrália reveleram recentemente a extensão do branqueamento de corais na Grande Barreira.

Os resultados finais de extensas amostragens aéreas e subaquáticas revelaram que 93% dos recifes foram afetados. Foi verificada uma mistura de danos severos, moderados e pequenos que mudam dramaticamente do norte para o sul ao longo dos 2300 km de recifes (ver mapa abaixo).

“Essa tem sido a expedição de pesquisa mais triste da minha vida”, relata o professor Terry Hughes, da James Cook University. “Nunca vi nada parecido com esta escala de branqueamento antes. No norte da Grande Barreira de Corais, é como se 10 ciclones ocorressem de uma só vez”, afirma Hughes, líder do grupo de trabalho sobre branqueamento de corais, que está documentando o evento. “Na região sul, a maioria dos recifes apresentou branqueamento de menor a moderado e deve se recuperar em breve.”

Mapa da grande barreira de corais mostrando os resultados das amostragens em 911 recifes. Adaptado de ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies / Tom Bridge e James Kerry

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Mapa da Grande Barreira de Corais mostrando os resultados das amostragens em 911 recifes. Adaptado de ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies / Tom Bridge e James Kerry

 

A indústria do turismo australiana tem um compromisso de longa data em proteger seu mais valioso recurso natural, a Grande Barreira de Corais. O turismo nesses recifes gera gera uma renda anual de US$ 5 bilhões, e emprega cerca de 70.000 pessoas. As mudanças climáticas são a maior ameaça para os recifes e as pessoas que dependem dele para sua subsistência.

“Felizmente, muitas partes do recife ainda estão saudáveis, mas não podemos simplesmente ignorar o branqueamento do coral e criar a falsa esperança de uma rápida recuperação. Temos que desenvolver políticas de curto prazo para mitigar os danos ambientais a longo prazo, incluindo os impactos sobre o recife “, diz Daniel Gschwind, presidente-executivo do Conselho da Indústria de turismo de Queensland.

 

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Branqueamento de corais na Grande Barreira da Austrália, em Lizard Island. Créditos, foto da esquerda: Dorothea Bender; direita: Mia Hoogenboom. ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies. 

 

 

O dramático branqueamento de corais na Grande Barreira da Austrália

A grande barreira de corais da Austrália está passando pelo evento de branqueamento de corais mais severo de sua história. Preocupantes taxas de até 95% de mortalidade estão sendo observadas na porção norte da grande barreira. Uma alta mortalidade de corais representa um amplo impacto ecológico: as espécies que se alimentam deles perdem sua fonte de alimento, peixes que buscam refúgio nos corais contra predadores tornam-se mais susceptíveis à predação.

A saúde da grande barreira, que abriga 400 espécies de corais, 1.500 espécies de peixes e 4 mil de moluscos, começou a se deteriorar na década de 1990 pelo duplo impacto do aquecimento da água do mar, pelo aumento de sua acidez devido a maior presença de dióxido de carbono na atmosfera.

 

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Cronologia do atual evento de branqueamento de corais na grande barreira da Australia. Adaptado de http://www.nature.com/news/coral-crisis-great-barrier-reef-bleaching-is-the-worst-we-ve-ever-seen-1.19747

 

Mas afinal, o que é branqueamento de coral? Muitas espécies de coral tem uma relação simbiótica especial com uma pequena alga denominada zooxantela, que vivem dentro do tecido do coral. As zooxantelas são produtoras de alimento muito eficientes, fornecendo até 90% da energia que os corais necessitam para crescer e se reproduzir.  O branqueamento ocorre quando a relação entre o anfitrião, o coral, e as zooxantelas, que são responsáveis pela sua coloração, é interrompida. Sem as zooxantelas, os corais começam a passar fome e morrer, seu tecido fica com aparência transparente e o esqueleto se torna esbranquiçado.

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Em um evento de branqueamento a simbiose entre o coral e as zooxantelas é interrompida, o coral começa a morrer e ficar esbranquiçado. O coral branqueado é coberto por algas. Adaptado de http://www.gbrmpa.gov.au/managing-the-reef/threats-to-the-reef/climate-change/what-does-this-mean-for-species/corals/whats-is-coral-bleaching

 

Quais as causas do branqueamento do coral? A principal causa do branqueamento é o estresse resultante de altas temperaturas do mar. Aumentos de temperatura de apenas um grau celsius por quatro semanas pode desencadear eventos de branqueamento. Se essas temperaturas persistirem por períodos prolongados (oito semanas ou mais) os corais começam a morrer. Outros fatores que também podem causar branqueamento de corais são a redução na salinidade, devido a grandes incrementos de água doce e excesso de sedimentos na coluna d’agua e poluentes de origem terrestre.

 

Pesquisa avalia uma nova ferramenta educativa como mitigadora dos impactos do mergulho recreativo

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Uma pesquisa de doutorado desenvolvida pelo Laboratório de Ecologia e Conservação de Ambientes Recifais está testando pela primeira vez o uso de um vídeo briefing como uma ferramenta educativa mitigadora dos impactos do mergulho recreativo em ambientes recifais. O experimento está sendo realizado na Reserva Extrativista Marinha de Arraial do Cabo/RJ, um dos principais pontos de mergulho do Brasil. O vídeo descreve as características da região e passa dicas para uma boa postura durante o mergulho. A influência dessas dicas no comportamento dos mergulhadores está sendo avaliada pelos pesquisadores. Assista o vídeo:

 

 

Glossário: 

Briefing: palestra realizada previamente ao mergulho, no qual os profissionais passam informações sobre o planejamento do mergulho e características do local. Um bom briefing deve conter informações e dicas sobre boas condutas dos mergulhadores, afim de reduzir os possíveis impactos no ambiente marinho.

Reserva Extrativista: Unidade de conservação de uso sustentável, que tem o objetivo de manter o meio de vida de populações tradicionais cuja existência se baseia no extrativismo, bem como assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da área. Para saber mais, clique aqui.

 

Deixe as conchas na praia! Coleta de conchas pode causar impactos ao ambiente marinho.

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Não é de hoje que sabemos que os impactos ambientais estão sendo intensificados devido a rápida expansão da atividade humana. Como exemplo, a remoção de conchas, uma atividade muito frequente e pouca estudada por se tratar de um hobby que muitos acham ser inofensivo, pode causar um grande impacto ambiental. A remoção de conchas da praia por turistas ou artesãos que trabalham com conchas como forma de arte e sobrevivência pode esta levando ao declínio desse material no mundo inteiro.

Um estudo realizado em uma pequena baía na costa do Mediterrâneo em um intervalo de trinta anos (1978-1981 e 2008-2010), demonstrou que a abundância de conchas marinhas reduziu significativamente com o aumento de turistas no local. Essa correlação aumentou quando os dados foram restringidos aos meses com maior chegada de turistas. Nessas três décadas a chegada de turistas aumentou em uma proporção de quase três vezes, a área permaneceu não afetada pelo desenvolvimento urbano e pela pesca comercial e nesse mesmo intervalo, as conchas de moluscos na costa diminuíram .

Em particular, a remoção de conchas por turistas representa um processo pouco estudado. Esses materiais esqueléticos deixados pra trás por organismos mortos executam muitos serviços ambientais e ecossistêmicos importantes. Em habitats costeiros, essas conchas desenvolvem múltiplas funções como: estabilização da praia, ninhos de aves, abrigo para algas, substrato para pradaria marinha, locais de colonização de organismos incrustantes ou proteção para ermitões e peixes. Como resultado desta remoção, foram detectados mudanças múltiplas nos habitats, como a redução na diversidade e abundância dos organismos que dependem da disponibilidade das conchas, aumento da erosão das praias e mudanças na reciclagem de carbonato de cálcio.

Dessa forma é melhor pensar duas vezes antes de levar conchas para casa. Observe e não leve pra casa! Não devemos alterar o ambiente e sim ajudar a manter o equilíbrio e preservar o colorido das praias que tanto admiramos. O declínio ou a preservação das conchas e beleza cênica das praias podem estar na suas mãos. Contribua com o meio ambiente e mantenha seu paraíso de férias preservado por muito mais tempo. Lugar de concha é na praia!

 

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Abundância de conchas das três espécies dominantes agrupadas por temporadas de turismo ao longo dos períodos de amostragem a) 1978 – 1981 e b) 2008 – 2010.

 

Referência : Kowalewski M, Domènech R, Martinell J (2014) Vanishing Clams on an Iberian Beach: Local Consequences and Global Implications of Accelerating Loss of Shells to Tourism. PLoS ONE 9(1): e83615. doi:10.1371/journal.pone.0083615

Palavras-chave:

Conchas: são carapaças protetoras de molsucos marinhos e animais de corpo mole, formadas quando o animal nasce.É constituída principalmente de carbonato de cálcio, extraído da água do oceano.

 

 

Uma dieta nada saudável! Corais podem ingerir microplásticos

Os corais entraram na crescente lista de organismos marinhos que estão ingerindo os plásticos que flutuam nos oceanos. Com a enorme quantidade 269 mil toneladas flutuantes, isso poderia ser uma boa notícia, mas isso provavelmente não é bom para eles.

Por meio de um experimento, pesquisadores australianos da Universidade James Cook e Universidade de Quensland inseriram uma quantidade precisa de microplásticos na água de um aquário que continha corais de uma espécie que vive na grande barreira australiana. Após duas noites, os corais haviam ingerido todas as partículas de microplástico com quase a mesma frequência que eles normalmente ingerem plâncton. As partículas foram encontradas dentro dos pólipos, envoltas por seu tecido digestivo.

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Coral Dipsastrea pallida. Crédito: Charlie Veron

Corais obtém energia por meio da simbiose com uma alga que vive em seus tecidos, mas eles também se alimentam de uma variedade de outros recursos, incluindo zooplancton, sedimento e outros organismos microscópicos. A ingestão de microplásticos pelos corais levanta preocupações de que eles podem impedir a capacidade dos corais para digerir o alimento normal, pois o plástico pode não ser digerido por eles.

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Microplástico na boca (a) e mesentério (b) do pólipo do coral e (c) fragmentos de plásticos encontrados nas águas dos recifes de coral da Austrália.

Microplástico na boca (a) e mesentério (b) do pólipo do coral e (c) fragmentos de plásticos encontrados nas águas dos recifes australianos.

Com a crescente quantidade de plásticos encontrados nos oceanos, esse novo achado é preocupante. Corais são os organismos chave dos recifes coralíneos, o ecossistema marinho mais biodiverso do planeta. Os recifes coralíneos provêm recursos para milhões de pessoas, especialmente por meio da pesca e turismo.

Referência: Hall N.M., Berry, K.L.E., Rintoul L., Hoogenboom M.O. 2015. Microplastic ingestion by scleractinian corals. Marine Biology 162: 725-732. (pdf)

Palavras-chave:

Corais: São animais marinhos do grupo dos cnidários, que inclui também as anêmonas, as águas-vivas ou medusas. São invertebrados capazes de formar por baixo do tecido um esqueleto calcário  ou córneo. Este esqueleto é responsável pela fixação do coral no fundo do mar e serve também como proteção. Veja mais em: http://coralvivo.org.br/recifes-e-corais/corais/#sthash.v5FLL0jh.dpuf

Microplástico: pequeno pedaço de plástico, de 5 milímetros ou menor e se originam da quebra do plástico descartado na natureza, como sacolas e garrafas.

Plâncton: Pequenos organismos (animal ou vegetal) que flutuam ou derivam no mar. Dependendo da espécie, o plâncton varia de tamanhos microscópicos ao tamanho de uma pulga. Apesar de o tamanho individual ser muito pequeno, eles formam colônias massivas, chegando a bilhões. O maior animal do mundo, a baleia azul, se alimenta de plâncton.

Pólipo: estrutura cilíndrica em forma de saco com uma cavidade interna que se abre apenas em uma extremidade: a boca. Rodeada por tentáculos, a boca age tanto na ingestão de alimentos, quanto na eliminação de resíduos. Os tentáculos são estruturas com grande quantidade de células chamadas cnidócitos, que contêm substância urticante e paralisante que serve para capturar presas e defender o pólipo. – See more at: http://coralvivo.org.br/recifes-e-corais/corais/#sthash.v5FLL0jh.dpuf