A taxa alimentar de peixes recifais

[Texto de divulgação escrito por Lucas Nunes]

Os peixes tem uma importante relação com o fundo dos recifes onde eles conseguem diferentes tipos de alimento, como detrito, algas e invertebrados. Esse consumo de alimentos é essencial para que os peixes consigam energia para viver, crescer e reproduzir. Porém, quantificar esse consumo de alimento no recife é desafiador, já que os peixes são organismos que se movimentam bastante ao longo do dia. Consequentemente, os cientistas precisam utilizar quantificações aproximadas para medir a taxa de consumo desses organismos como, por exemplo, contar o número de mordidas exercidas em cada alimento.

Já sabemos que a taxa de consumo de um animal varia com seu tamanho corporal e a temperatura do ambiente ao seu redor, porém ainda falta uma base teórica para conectar a taxa de mordidas com a taxa de consumo. Nós propusemos uma forma matemática de conectar essas duas taxas, e, dessa forma, estabelecer predições sobre como a taxa de mordidas varia com o tamanho corporal do indivíduo e a temperatura do ambiente. Usando nosso modelo como ponto de partida, nós quantificamos como o tamanho corporal, a temperatura da água e a dieta influenciam na taxa de mordida de pequenos peixes recifais. Com isso, nós simulamos como as mudanças climáticas podem afetar essa taxa de consumo.

Para isso, nós contamos as mordidas de 4 espécies do gênero Ophioblennius em 8 locais do Oceano Atlântico. Vimos que os peixes “aceleram” sua taxa de mordida conforme aumenta a temperatura da água ao seu redor—mais do que esperado pelo nosso modelo; além disso indivíduos menores apresentaram uma taxa de mordidas mais rápida do que indivíduos maiores. Nós também coletamos indivíduos para descobrir o que as espécies comem e vimos que a dieta delas é composta majoritariamente por detrito. Também encontramos algas e animais, porém em uma pequena quantidade, indicando ingestão acidental.

Testando nossas predições com dados laboratoriais e observações de campo, em uma escala geográfica ampla, entendemos melhor o efeito das variações ambientais na pressão alimentar dos animais. Baseado nos nossos resultados, simulamos como o aquecimento dos oceanos podem afetar a taxa de consumo. Descobrimos que o efeito combinado de tamanhos menores e temperaturas elevadas podem aumentar consideravelmente a taxa de consumo desses animais. Isso indica que cada indivíduo vai precisar de mais comida para manter seu metabolismo funcionando. Como esses pequenos peixes são abundantes nos recifes e são presas para outros peixes e invertebrados, as mudanças climáticas podem influenciar o fluxo de energia nesse ambiente.

Referência:

Nunes LT, Barneche DR, Lastrucci NS, Fraga AA, Nunes JACC, Ferreira CEL, Floeter SR (2021) Predicting the effects of body size, temperature and diet on animal feeding rates. Functional Ecology https://doi.org/10.1111/1365-2435.13872

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